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“Wolinski era o Pelé do cartum, e influenciou gerações de desenhistas”

Cartunistas brasileiros lamentam morte de principal chargista da 'Charlie Hebdo' e colegas

Ilustração do argentino Liniers em apoio à revista Charlie Hebdo.
Ilustração do argentino Liniers em apoio à revista Charlie Hebdo.

“Quem foi assassinado foi o Pelé do cartum”. Assim o desenhista brasileiro André Dahmer, criador de Os Malvados se refere à chacina de George Wolinski e outros funcionários da revista Charlie Hebdo, em Paris, nesta quarta-feira. “O cara deu a vida dele para que os outros pudessem sorrir”.

De acordo com Dahmer, três gerações do jornalismo mundial foram influenciadas pelo trabalho do cartunista. “E entre os mortos no ataque também estão jovens chargistas da revista, que seriam a nova geração da Charlie Hebdo. É uma notícia terrível”, diz.

As charges com o profeta Maomé, apontadas por especialistas como tendo motivado o ataque por parte de radicais islâmicos, “jamais poderiam servir de justificativa para tamanha violência”, afirma.

“A violência ‘de fato’ não pode jamais se sobrepor à violência simbólica. E o pior era que a revista era super progressista, criticava a direita francesa, a ocupação israelense na palestina e se propunham a pensar o islamismo”, diz Dahmer, que também já foi ameaçado após abordar assuntos religiosos em suas tiras.

“Só os mais radicais não são capazes de entender o trabalho do chargista. Grupos radicais judeus e cristãos já me ameaçaram por tiras onde eu refletia sobre a crença em deus. A religião não é uma doença, mas o radicalismo é”.

O cartunista Laerte conheceu o trabalho da publicação francesa nos anos de 1960, época em que trabalhava na revista O Pasquim, e se refere a Wolinski como “mestre”: “Ele foi decisivo no meu trabalho, o espírito da revista e do humorismo francês foram fundamentais para a nossa geração. A Charlie Hebdo é um patrimônio do jornalismo”.

Ele se recorda que “no Pasquim sentíamos como se o que eles faziam na França fosse um ‘reforço’ internacional para nós, como se ecoassem o que fazíamos aqui. Eles eram de uma ousadia e um brilhantismo muito grandes”, conclui.

O cartunista Adão Itussurugai postou na rede social twitter que “Georges Wolinski é minha maior influência”, e que hoje é um “triste dia para o jornalismo, o humorismo, a liberdade”.

Allan Sieber, outro quadrinista brasileiro, escreveu no Facebook que está "Completamente chocado com a morte dos cartunistas e jornalista da Charlie Hebdo. Os filhos das putas dos fanáticos mataram o Wolinski. O WOLINSKI, POORA!!!!!!!!".

O quadrinista argentino Ricardo Liniers publicou no twitter desenhos de apoio à revista francesa e criticando o fanatismo. "Meu fanatismo é por não ser fanático", diz uma de suas ilustrações.

"Ele desenhou primeiro", diz cartoon de David Pope.

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