Obama: “Atirar em estudantes é uma demonstração de depravação”

A Nobel da Paz Malala afirma que atentados como esse não destruirão sua determinação

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. (AFP)

O Governo dos Estados Unidos condenou nesta terça-feira o “horrível” ataque de milicianos do Talibã a uma escola no Paquistão, e reiterou seu compromisso na luta contra o terrorismo. “Nossos corações e preces estão com as vítimas, suas famílias e entes queridos. Ao atirar em estudantes e professores nesse ataque atroz, os terroristas voltaram a mostrar sua depravação”, afirmou o presidente Barack Obama em um comunicado difundido pela Casa Branca. “Estamos junto ao povo do Paquistão e reiteramos o compromisso dos Estados Unidos de apoiar o Governo em seus esforços para combater o terrorismo e o extremismo e para promover a paz e a estabilidade na região”, agregou o presidente.

Richard Olson, embaixador norte-americano em Islamabad, definiu o ataque como “desumano e sem sentido”. “Poucos sofreram mais em mãos de terroristas e extremistas do que os paquistaneses”, recordou o diplomata. A ativista paquistanesa Malala Yousafzai, ganhadora este ano do Prêmio Nobel da Paz, qualificou o atentado como “atroz e covarde”. “Tenho o coração destroçado por esse ataque sem sentido e a sangue frio cometido em Peshawar”, afirmou a ativista de 17 anos, que em 2012 esteve a ponto de morrer pelo ataque de um militante do Talibã que disparou em sua cabeça por causa de sua defesa da educação feminina. “Condeno esse ato e apoio o Governo do Paquistão no esforço de enfrentar esse problema”, declarou Malala. A jovem lamentou a morte das crianças, às quais chamou de “irmãos e irmãs”, e disse que esse tipo de ato nunca destruirá sua determinação.

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O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, também se referiu ao atentado e afirmou que “nenhuma causa pode justificar tal brutalidade e nenhuma reivindicação pode desculpar tal horror”. “Receber educação é o direito de todas as crianças, ir a escola não deveria ter sido um ato de valentia”, lamentou o diplomata, afirmando ainda que “os corações do mundo estão com os pais e famílias que perderam entes queridos no espantoso ataque de Peshawar”.

O diretor-executivo da UNICEF, Anthony Lake, expressou seu pesar pelo ocorrido: “O horrível assassinato de mais de cem crianças hoje em Peshawar deveria representar algo mais que um impacto nas consciências de todo o mundo, o que decerto vai ocorrer”. “Deveria unir a todos nós, de modo mais significativo, no apoio aos pais do Paquistão que desejam que os filhos tenham a melhor educação possível – e a todos que trabalham para proporcioná-la”, acrescentou Lake, em nome da organização financiada pela ONU que provê ajuda humanitária a crianças em países em desenvolvimento.

O ministro espanhol de Assuntos Externos e de Cooperação, José Manuel García-Margallo, qualificou o fato como “crime horrendo”. "[O ataque] demonstra o pior da raça humana e prova que o jihadismo islâmico é uma ameaça para todos os países do mundo, e em primeiro lugar para os muçulmanos que estão tentando avançar na democracia”, afirmou Margallo nos corredores do Congresso dos Deputados. O político defendeu também a coalizão internacional contra o jihadismo, da qual a Espanha faz parte, para “acabar com horrores que remontam ao que se passou na II Guerra Mundial com o Holocausto”.

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