Turquia

Preso o editor-chefe do principal jornal de oposição na Turquia

Mais 23 pessoas são detidas em operação contra veículos acusados de complô

O editor-chefe do ‘Zaman’, Ekrem Dumanli, rodeado de colegas.
O editor-chefe do ‘Zaman’, Ekrem Dumanli, rodeado de colegas. (REUTERS)

O editor-chefe do jornal turco Zaman, Ekrem Dumanli, foi detido no domingo na Redação de seu diário, o principal meio de comunicação crítico do Governo controlado pelo partido do presidente Recep Tayyip Erdogan – que chefiou o Executivo durante mais de 11 anos, até agosto. Outras 23 pessoas foram presas na operação policial contra veículos de oposição ao Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP, na sigla em turco) vinculados ao clérigo islâmico Fetulah Gülen (exilado nos Estados Unidos), como o Zaman e a rede de televisão Samanyolu. A Procuradoria de Istambul os acusa de envolvimento em um complô para derrubar o Governo. Entre os detidos estão também dois chefes da polícia.

Essas detenções, que foram condenadas horas depois pela União Europeia e pelos Estados Unidos, marcam a escalada do enfrentamento entre Gülen e Erdogan. Ambos foram aliados políticos, mas começaram a se distanciar depois da guinada autoritária do então primeiro-ministro durante a repressão dos protestos de jovens em 2013. O escândalo de corrupção que respingou no Governo do Erdogan há um ano levou à ruptura definitiva entre os dois dirigentes.

“A imprensa livre não pode ser silenciada”, gritava em coro no domingo uma multidão concentrada diante da sede do Zaman em Istambul para defender seu editor-chefe. O próprio Dumanli fez um discurso no qual desafiava os agentes do departamento antiterrorista da polícia a prendê-lo. A polícia lhe mostrou uma documentação que citava o delito de “formação de quadrilha para tentar tomar a soberania do Estado”.

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O presidente da Samanyolu, Hidayet Karaca, disse na sede da TV, em Istambul: “É uma vergonha. Infelizmente, na Turquia do século XXI, este é o tratamento que se dá a um grupo de meios de comunicação com dezenas de emissoras de televisão e rádio, internet e revistas”. Além de Karaca, foram detidos um diretor e vários redatores da rede.

A Procuradoria de Istambul informou que foram emitidas ordens de prisão contra 32 pessoas pela relação nesse caso, acusadas de delitos como “dirigir ou pertencer a uma organização terrorista”, “falsificação de documentos” e “calúnia”.

Dois antigos chefes policiais, entre eles o ex-chefe do departamento antiterrorista de Istambul Tufan Ergüder, também foram detidos. Fontes oficiais tinham anunciado na semana passada que cerca de 400 pessoas, incluindo 150 jornalistas, seriam detidas por suas ligações com Gülen.

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