Começa na Ucrânia a coleta dos restos da fuselagem do MH17

Restos do B-777 em que morreram 298 serão levados para Cracóvia, e dali, para a Holanda

Trabalhadores retiram restos da fuselagem do avião em Grabovo.
Trabalhadores retiram restos da fuselagem do avião em Grabovo.A. E. (EFE)

Um grupo de investigadores holandeses começou a recolher os restos da fuselagem do avião MH17 da Malaysia Airlines que caiu em 17 de julho passado no leste da Ucrânia. Os trabalhos deveriam ter começado há semanas, mas a luta entre rebeldes pró-russos e forças ucranianas na região não cessa, e só agora foi possível garantir a segurança dos especialistas.

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Os pedaços grandes demais –como o trem de pouso– serão divididos em partes e levados para Cracóvia. Chegarão à Holanda depois, de avião. Da reconstrução de uma parte da nave depende a possibilidade de se averiguar o ocorrido em uma tragédia que custou a vida de seus 298 ocupantes (de dez nacionalidades, 196 holandeses).

Enquanto os especialistas cortavam e carregavam o corpo destroçado do avião em caminhões, os oponentes no litígio continuam acusando-se mutuamente pela tragédia. A última versão foi dada na sexta-feira passada em um informe noturno da televisão russa ao transmitir as imagens, supostamente feitas por meio de um satélite, do jato militar ucraniano que teria atacado a nave comercial. A notícia coincidiu com a abertura da reunião do G20 em Brisbane (Austrália). O encontro foi dominado pela pressão exercida pelos líderes mundiais sobre o presidente russo, Vladimir Putin em função do conflito ucraniano. Kiev sustenta que os separatistas lançaram um míssil terra-ar contra o Boeing 777 do território que controlam.

Ajudado pela Organização para a Segurança e Cooperação da Europa, o Conselho Holandês de Segurança chegou na sexta-feira passada a um acordo com os bombeiros de Donetsk no sentido de levarem a porção necessária de fuselagem para efetuar a reconstrução. Assim, evitou-se negociar diretamente com os separatistas pró-russos para se ter acesso ao terreno sem perigo. Antes, os especialistas holandeses puderam trabalhar por vários dias na coleta de restos humanos e mais cinco esquifes foram à Holanda. A princípio, trata-se do último envio desse tipo saindo da Ucrânia, apesar de Haia destacar que “faltam nove corpos e não se sabe se poderão ser recuperados”. Segundo fontes da autoproclamada República Independente de Donetsk, "neste domingo havia mais restos humanos sob a carcaça”, informa a agência Associated Press. O dado não foi confirmado, até agora, pelo ministério holandês das Relações Exteriores.

O MH17 fazia a rota entre Amsterdã e Kuala Lumpur e estava cheio de famílias inteiras em plenas férias de verão. Como a maioria das vítimas é holandesa, Haia lidera a investigação oficial, que já conta com um informe provisório. Segundo o Conselho de Segurança, o avião “foi derrubado pelo impacto de vários objetos com forte energia que penetraram a grande velocidade”. Um dos passageiros estava usando a máscara de oxigênio, descoberta que horrorizou as famílias em outubro passado.

Até então, pensava-se que ninguém tivesse tido tempo de reagir antes da explosão. A Holanda concorda que se tratou de um atentado e homenageou todos os falecidos em uma cerimônia realizada em Amsterdã em 10 de novembro passado. Os reis, Guilherme Alexandre e Máxima, e membros do Governo se misturaram aos familiares, que leram os nomes de seus entes queridos.

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