Consulta catalã

Premiê espanhol classifica a consulta sobre a Catalunha como “fracasso”

“Não houve consulta. Dois terços não votaram. O independentismo mostrou debilidade”

Rajoy descarta ações para conter separatismo. Uly Martín (reuters_live)

O primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, não moverá sua posição política nem um milímetro pelo fato de que 2,3 milhões de pessoas, segundo os dados da Generalitat (Governo catalão), tenham participado na consulta alternativa sobre a independência da Catalunha. Em sua primeira aparição depois da votação no último domingo, Rajoy argumentou que não vai oferecer nenhum plano especial  para tentar  conter o crescimento do independentismo na região, por considerar que o refenrendo foi um “absoluto fracasso”, sobretudo porque dois terços dos catalães e estrangeiros chamados a votar não participaram.

“Não foi uma votação democrática, foi um ato de propaganda política. Não houve consulta, foi uma simulação.” O presidente, durante uma longa coletiva de imprensa, insistiu em várias ocasiões nesse dado de abstenção para defender que o movimento separatista não é majoritário e diminuir, assim, o dramatismo da situação. “Foi um profundo fracasso do projeto independentista. Segundo suas próprias contas, dois de cada três catalães não deram bola. Onde pretendiam uma exibição de força, isso nos mostrou sua fraqueza.”

Rajoy negou qualquer possibilidade de negociação de um referendo e marcou o que considera a única via para “o que pretende Mas”: a reforma constitucional. “É o único caminho legal”, tal como marcou, para o projeto do presidente da Generalitat, Artur Mas. “O parlamento da Catalunha pode iniciar o processo da reforma constitucional. É o único caminho legal para seu projeto e Mas sabe disso”, afirmou o presidente do Governo, que revelou que em suas negociações com o presidente da Generalitat sempre foi colocado que este é o caminho que se deve seguir. Mas essa porta que Rajoy aponta, também deixou isso muito claro, está fechada. “Eu e meu partido vamos nos opor a qualquer reforma da Constituição que inclua a autodeterminação e, portanto, liquide a soberania nacional.” “Não vou dialogar nunca sobre a soberania nacional”, acrescentou.

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E como é considerado minoritário, o presidente não tem nenhuma intenção de oferecer para evitar que o movimento em pro da independência catalã cresça -- como detectam todas as pesquisas --, ou para impedir a onda de mobilizações que se iniciaram no dia 11 de setembro de 2012, quando ele já estava em La Moncloa. Em nenhum momento, o presidente quis falar diretamente com os manifestantes ou com os eleitores no domingo, a não ser para transmitir seu “respeito”.

O chefe de Governo se defendeu das críticas de vários setores que o acusaram de imobilismo. “O Governo defendeu a legalidade e adotou uma posição sensata e adequada. Alguns organizadores gostariam de outro tipo de fotografia e o Governo atuou com proporcionalidade, assim como a Justiça.” Dessa forma, elogiou a decisão adotada por um juiz da Catalunha frente ao pedido de retirada das urnas: “Teria criado mais tensão e dificuldades”, disse.

“Atuei com proporcionalidade. Acho que fui sensato na hora de tomar decisões. Acho que fiz o que devia ser feito e que cumpri com minha obrigação”, insistiu.

Com a insistência das perguntas sobre o caminho judicial posterior ao 9-N, Mariano Rajoy optou por apelar à autonomia da Promotoria. “Eu não sou ninguém para falar o que eles devem fazer.” “Tenho que respeitar as decisões da promotoria e do Poder Judiciário porque, se não fizer assim, não iríamos por um bom caminho”, acrescentou. “Acreditem que não sei se vão entrar com uma ação. Não dei nenhuma instrução neste sentido”, respondeu a outra das perguntas sobre a atuação da promotoria.

Rajoy pediu o Governo da Catalunha que “comece a trabalhar no que importa ao conjunto dos cidadãos da Catalunha”, como o desemprego e os problemas econômicos. Destacou, também, que Mas “se dedicou única e exclusivamente a este projeto, que terminou com uma participação mais baixa do que o previsto”.