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Mostra de Cinema de São Paulo celebra Pedro Almodóvar

O EL PAÍS seleciona artigos da carreira do cineasta celebrado na Espanha – e no Brasil

Pedro Almodóvar por Jean Paul Goude.
Pedro Almodóvar por Jean Paul Goude.

Um fenômeno que o Brasil julga ser exclusivamente nacional – uma maior valorização, às vezes, do que é brasileiro fora do país – acontece na Espanha com Pedro Almodóvar, o maior representante internacional do cinema espanhol desde Luis Buñuel.

Até certo ponto.

É claro que muitos espanhóis veneram o cineasta que levou à tela grandes temas de enorme urgência à época de seus primeiros filmes, nos anos 80, e familiarizou a nação com tudo o que até então era considerado marginal – das drogas à homossexualidade. Mas é no exterior que Almodóvar é celebrado como uma verdadeira instituição, quase intocável ainda que eternamente revolucionária, capaz de dar voz a esses mesmos temas, que ainda permanecem urgentes em muitos lugares, como no Brasil.

Aproveitando a homenagem da 38ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo ao cineasta, que é filho da redemocratização espanhola e se tornou popular de fato para o público e a crítica com a criação de sua produtora El Deseo em 1985, o EL PAÍS traz uma seleção de artigos publicados pelo jornal ao longo de sua carreira.

Fala-se da importância da trilha sonora em sua obra, da inspiração que encontrava na mãe (neste caso, com um texto em primeira pessoa), do retorno à infância em Volver, um de seus filmes mais premiados, de Tudo sobre minha mãe e seu lançamento no Festival de Cannes, e da visão de Caetano Veloso sobre o diretor (num texto escrito pelo próprio Caetano).

Biografia

Pedro Almodóvar nasceu em 1949, em Calzada de Calatrava, província de Ciudad Real, no interior do país. Fascinado pelos filmes que via desde pequeno, com apenas 16 anos decidiu ir a Madri para estudar cinema. Trabalhou na companhia Telefónica à medida que ia tomando contato com a chamada movida madrilenha – movimento cultural do qual se tornou um dos maiores representantes. Debuta como ator no grupo teatral Los Goliardos, colabora com revistas underground e finalmente tenta a sorte com o dueto musical Almodóvar-Mc Namara.

Cresceu num ambiente em que a liberdade habitava o mundo da imaginação. Com o fim do franquismo, em 1976, o que era até então proibido saiu à luz, e o diretor incorporou ao seu trabalho toda marginalidade, de forma natural. Em 1980, depois de realizar vários curtas-metragens e um média-metragem em Super 8, filma seu primeiro longa: Pepi, Luci, Bom y otras chicas del montón, com o mínimo de dinheiro e uma equipe de voluntários, e a produção se converte em um filme de culto. Seu universo transgressor foi se sofisticando no decorrer dos anos e, com isso, ele se tornou o grande responsável pela renovação do melodrama no cinema.

Há 19 anos, Pedro Almodóvar veio a São Paulo abrir a 19ª Mostra, numa sessão gratuita de A flor do meu segredo com dois mil espectadores reunidos no Vão Livre do MASP. Este ano, os cinéfilos paulistanos não contarão com a presença do cineasta, mas podem se inspirar pelo autorretrato que ele cedeu para o pôster desta edição. E, claro, com o nosso especial.

Confira no site da Mostra os filmes de Almodóvar que fazem parte da programação deste ano.

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