CRISE DO EBOLA

Por causa do ebola, Marrocos ameaça abrir mão de sediar a Copa Africana

Governo local aceita, no entanto, receber o Mundial de Clubes, que terá o Real Madrid

Sorteio das chaves do Mundial de Clubes, no dia 11, em Marrakesh.
Sorteio das chaves do Mundial de Clubes, no dia 11, em Marrakesh.

O Marrocos abriu mão de ser sede da Copa Africana de Nações (CAN), entre 17 de janeiro e 8 de fevereiro, por causa do vírus ebola. As autoridades sanitárias e esportivas deste país do noroeste africano pressionaram a FIFA nos últimos dias para que o torneio futebolístico continental fosse adiado até junho do ano que vem – ou seja, em pleno mês islâmico do ramadã – ou mesmo para 2016, dando tempo assim para que surja alguma vacina eficaz e comprovada contra a doença. A competição pode atrair até um milhão de torcedores, sobretudo de países africanos.

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Fontes governamentais disseram ao EL PAÍS que a decisão formal ainda não foi comunicada, mas que o ministro da Juventude e Esportes decidiu que o país abrirá mão de ser sede se a FIFA não concordar com o adiamento.

Ao site SuperSport, um funcionário do Ministério dos Esportes disse que “a Confederação Africana de Futebol rejeitou todos os nossos pedidos e sugestões, pelo que nos vemos obrigados a nos retirar para preservar a segurança dos nossos cidadãos, e para isso estamos dispostos a assumir as consequências que decorrerem da nossa ação”.

Na quarta-feira, o ministro da Saúde do país reiterou a exigência à FIFA de que a competição seja adiada “por razões sanitárias e preventivas”.

Marrocos tem três grandes eventos esportivos para organizar em apenas seis meses, a partir de dezembro próximo. Mas a epidemia do ebola expôs contradições das autoridades, que desejam acima de tudo que o país seja sede do Mundial de Clubes, com o Real Madrid como grande protagonista, mas não têm nem de longe o mesmo interesse em correr o risco de uma epidemia com a Copa Africana e com os Jogos Pan-Árabes, programados para junho em Agadir.

O ministro da Saúde ratificou que a sua prioridade é “salvar as vidas dos marroquinos” 

No sábado, aconteceu em Marrakesh o sorteio das chaves da 11.ª edição do Mundial de Clubes, prevista para os dias 10 a 20 de dezembro, e para a qual há grande expectativa. O ex-jogador Emilio Butragueño, atual diretor de relações institucionais do Real Madrid, e Fernando Hierro, auxiliar do treinador Carlo Ancelotti, representaram o clube espanhol – grande atração do torneio, do qual participa na qualidade de atual campeão europeu. Butragueño se comportou como se esperava e assegurou que conseguir o troféu é o objetivo do Real. Depois, já em Madri, manifestou a “preocupação” do clube perante a situação criada com o ebola e se mostrou disposto a esperar as decisões que os dirigentes futebolísticos e sanitários venham a tomar.

A FIFA está consciente de que não há atualmente muitos países na África em condições de organizar um torneio assim

Essa precaução de Butragueño em não prometer unilateralmente a presença do Real já desatou grande inquietação em Marrocos. Nem o Governo nem a federação espanhola de futebol querem que surja nenhuma dúvida sobre o desenrolar normal dessa competição, que terá como sedes Rabat e Marrakesh, com a participação também do San Lorenzo (Argentina), Moghreb Athletic de Tetuão (Marrocos), Cruz Azul (México), Auckland City FC (Nova Zelândia) e dos campeões da Ásia e África, a serem conhecidos nas próximas semanas.

A FIFA, que não é favorável a adiar a Copa Africana, deve resolver a questão em 2 de novembro, em Argel. A entidade sabe, no entanto, que não há muitos países africanos em condições de organizar um torneio desse porte.

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