CRISE DO EBOLA

Paciente infectada na Espanha já ingere líquidos e apresenta melhoras

Teresa Romero ainda não sabe que seu cão ‘Excalibur’ morreu Médicos reclamam da obrigação de atendê-la com as persianas fechadas

Na imagem, funcionários com o equipamento de proteção.
Na imagem, funcionários com o equipamento de proteção.SUSANA VERA (REUTERS)

A auxiliar de enfermagem infectada com o vírus ebola, Teresa Romero, pôde falar com seu marido, que não contou a ela sobre a morte do cão Excalibur, e ingere líquidos desde a noite de terça-feira, segundo uma amiga da família, Teresa Mesa, que falou com a imprensa como porta-voz do casal na entrada do Hospital Universitário La Paz-Carlos III em Madri.

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A amiga explicou que a paciente tem “lacunas” e não se lembra de “muitas coisas”, disse ainda que os médicos “têm esperança” e existe otimismo quanto a suas possibilidades de superar a doença. De fato, seu quadro atual, apesar de grave, é estável, assinalou na manhã de quarta-feira a ministra da Saúde, Ana Mato.

Uma prima de Teresa Romero explicou também que ela “já consegue se levantar, ficar sentada e tomar líquidos e está muito animada”. Segundo disse a prima à agência EFE, essa informação foi fornecida pelo hospital à mãe da auxiliar de enfermagem, que vive no município de Becerreá.

De acordo com a familiar, “no momento tudo está indo muito bem”, porque “chegar até aqui já é uma vitória” e, supostamente, “já passaram os dias mais críticos”. Em todo caso, recordou que “a situação continua grave” e ainda não se pode cantar vitória, porque “essa doença é imprevisível e pode haver uma recaída”. Ainda assim, reconheceu que graças à informação recebida nas últimas horas, a família está agora “muito mais animada”.

Marido da paciente anuncia ações legais contra autoridades

EFE

Javier Limón, marido de Teresa Romero, pensa em tomar medidas legais contra as autoridades sanitárias do Governo e da Comunidade de Madri, Ana Mato e Javier Rodríguez.

A porta-voz do casal, María Teresa Mesa, informou que Limón entrará com uma ação legal por causa do contágio de sua mulher, que pertence ao quadro de funcionários do hospital Carlos III de Madri, onde está internada.

Mesa deixou claro que Limón não aceitará o pedido de desculpas apresentado pelo conselheiro de Saúde por carta na terça-feira porque, segundo ele, isso deveria ter sido feito "muito antes".

"A única coisa que aceitará é a sua renúncia", frisou a porta-voz do casal, acrescentando que o marido espera poder reunir-se com seu advogado para definir os termos da ação.

As palavras dos familiares de Teresa Romero coincidem com os sinais de melhora relatados na quarta-feira pelo diretor do Instituto de Saúde Carlos III e um dos porta-vozes do comitê científico, Antonio Andreu. Conforme declarou o diretor, a auxiliar experimentou uma “leve melhora clínica” e “encontra-se estável dentro da gravidade”.

O comitê criado pelo Governo para administrar a crise do ebola também confirmou a informação, reiterando que o estado de saúde de Romero ainda é crítico, mas estável. Diferentemente dos últimos dias, na quarta-feira, nenhum de seus membros compareceu a entrevistas coletivas. Em nota à imprensa, o comitê acrescenta que as 15 pessoas internadas porque tiveram contato com a paciente continuam “assintomáticas”.

O comitê fala também das dificuldades que a equipe médica tem em trabalhar com as persianas baixadas para proteger a intimidade da paciente. Um dos especialistas em Doenças Tropicais que cuidam de seu tratamento, Fernando de la Rua, queixou-se na terça-feira desse mesmo problema no hospital Carlos III. “Deveria poder ver a luz”, disse. Durante a reunião diária do comitê falou-se de como essa situação “traz um prejuízo concreto para o tratamento, dificuldades para os profissionais da saúde no desempenho de suas funções e inconvenientes para o bem-estar das pessoas internadas”.

O diretor do Instituto de Saúde Carlos III, Antonio Andreu, informou que começa na quarta-feira à tarde o programa de formação anunciado pelo Governo no início da semana. Os cursos serão realizados na Escola Nacional de Saúde.