Quatro países árabes se somam ao ataque contra reduto do Estado Islâmico

Arábia Saudita, Jordânia, Emirados e Bahrein participam da ofensiva dos EUA

Um porta-aviões lança um míssil contra a Síria.
Um porta-aviões lança um míssil contra a Síria.US NAVY (EFE)

Arábia Saudita, Jordânia, Bahrein e Emirados Árabes Unidos reconheceram nesta terça-feira sua participação, junto aos EUA, nos bombardeios realizados na madrugada contra o Estado Islâmico (EI) na Síria. O Qatar ainda mantinha silêncio sobre essa operação, que abre uma nova frente na luta contra os jihadistas. Segundo o Comando Central das Forças Armadas dos EUA (Centcom), o país também colaborou nos ataques.

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A Arábia Saudita foi o último país a confirmar sua participação na aliança internacional destinada a “erradicar o terrorismo, uma enfermidade mortal, e a ajudar o povo irmão da Síria a restabelecer a segurança, a unidade e o desenvolvimento nesse país sofrido”, segundo um porta-voz oficial citado pela Agência France Presse.

“Golpeamos o terrorismo em seu reduto para proteger a segurança e a estabilidade da Jordânia e para evitar que o terrorismo alcance o reino”, declarou, por sua vez, o ministro jordaniano da Informação, Mohamad al Momani, de acordo com o canal de TV Al Jazeera.

Al Momani também disse que os bombardeios vão continuar nos próximos dias, e que deles participam quatro países árabes, inclusive a Jordânia. Embora o Pentágono não tenha identificado inicialmente quais países colaboraram na campanha, um comunicado do Centcom confirmou as versões jornalísticas que se referiam a Arábia Saudita, Emirados Árabes e Bahrein. Além disso, o Qatar também teria dado apoio às operações aéreas.

“Um grupo de caças da Real Força Aérea do Bahrein bombardeou e destruiu no começo desta manhã objetivos de grupos e organizações terroristas, junto com as forças aéreas dos Estados do Conselho de Cooperação do Golfo e de outros países aliados e amigos”, anunciou horas depois do fato um porta-voz militar à agência de notícias BNA, do Bahrein. Essa fonte descreveu os ataques como “parte dos esforços internacionais para proteger a segurança regional e a paz global”.

A contribuição dos aliados árabes é fundamental para legitimar a campanha norte-americana contra o EI. Tanto a Arábia Saudita quanto os Emirados Árabes possuem Forças Aéreas modernas e equipadas com caças de última geração: F-15 norte-americanos e Eurofighters, no caso dos sauditas, e Mirage 2000 franceses e F-16 norte-americanos, no caso dos Emirados. Além disso, tanto estes últimos quanto o Qatar já têm a experiência na participação de uma operação internacional na Líbia, em 2011.

Entretanto, as monarquias da Península Arábica têm sido cautelosas na hora de expor abertamente seu apoio aos Estados Unidos na campanha contra os jihadistas. Por um lado, os governantes se mostram céticos quanto ao alcance do compromisso de Washington, com quem eles têm crescentes divergências sobre como enfrentar as mudanças que estão ocorrendo no Oriente Médio. Por outro, temem represálias dos extremistas e até a reação de seus próprios habitantes se o plano se desviar de seu objetivo, seja por provocar muitas vítimas civis ou por acabar ajudando a causa do Irã na região.

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