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Mais de 10 milhões de casas próprias em 10 anos, segundo o IBGE

A melhora do rendimento do brasileiro se refletiu na aquisição de imóveis, mas o acesso a serviços básicos continua precário

A rede de esgoto chega apenas a 64,3% dos domicílios brasileiros

Bairro da Liberdade (São, Paulo).
Bairro da Liberdade (São, Paulo). Bloomberg

O Brasil tem mais famílias com casa própria: enquanto em 2003 eram 38,4 milhões, hoje somam 48,4, cerca de dez milhões de proprietários a mais. Se considerados os dados de 2012 e 2013, o aumento de domicílios em aquisição – imóveis que ainda não estão totalmente quitados – foi de 5,7%. As famílias hoje têm maior acesso a computadores com internet (43,1%), mas, ao mesmo tempo, os serviços básicos, como rede de esgoto, não chegam nem a 65% dos domicílios. O paradoxo dos resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), divulgada nesta quinta pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram a realidade de um país que melhorou em determinados aspectos, e que continua precário em outros.

Comprar a casa própria é o sonho de muitos brasileiros que, com a melhora dos rendimentos, puderam obter crédito e o financiamento do imóvel. "O que percebemos é uma valorização da renda familiar e isso se reflete em todas as classes. Isso provavelmente influenciou no incremento destes imóveis em propriedade", explica a pesquisadora do IBGE Jully Ponte. A renda domiciliar, ou seja, a soma dos rendimentos de uma família, passou de uma média mensal de 2.189 reais em 2003 para 2.983 em 2013. O rendimento do trabalho, que aporta a maior parte do dinheiro que entra no lar do brasileiro, passou de 1.162 reais, há dez anos, para 1.681 no ano passado.

Os serviços básicos, no entanto, não tiveram uma melhora semelhante. O abastecimento de água era de 82% e hoje alcança 85,3% no país, uma evolução baixa considerando o período de uma década. O acesso à rede de esgoto – tratamento e rede coletora de dejetos sanitários e resíduos sólidos ou qualquer tipo de fossa (ainda que seja rudimentar) – foi um dos indicadores que mais cresceu: passou de 46% para 64,3%. Ainda assim, não atende a um número suficiente de residências, o que se reflete em situações de risco para as famílias, como maior probabilidade de mortalidade infantil, maior exposição a doenças infectocontagiosas, situação de insalubridade, entre outras.

A coleta de lixo também cresceu pouco, de 84% para 89,8% em dez anos. Já o alcance da luz elétrica representa um dos melhores resultados entre as características levantadas pelo estudo, com 99,6% dos domicílios cobertos, enquanto em 2003 chegava a 96% das casas. Atualmente 92,7% dos domicílios possuem telefone fixo, uma melhora notável em comparação a 2003, quando apenas 65% tinham linha. Já o celular, do qual dependia 16,43% da população brasileira que não possuía telefone fixo em casa, hoje se tornou o único meio de comunicação de 53,1% dos brasileiros.

Fe de errores

Um dia após a publicação desta matéria, na sexta-feira 19 de setembro, o IBGE admitiu ter cometido "erros graves" na Pnad e corrigiu vários dados que constavam na pesquisa, referente a 2013 e divulgada na quinta, 18 de setembro.

As principais correções feitas dizem respeito ao índice de Gini, que mede a desigualdade de renda (o correto é 0,495 e não 0,498, como divulgado anteriormente - ou seja, a desigualdade diminuiu levemente e não aumentou, conforme se acreditava), e ao analfabetismo (que caiu de 8,7% para 8,5% no ano passado e não para 8,3%, o que indica uma queda menos significativa).

O diretor de Pesquisas do IBGE, Roberto Olinto, disse que não houve interferência política nos resultados e sim "um acidente estritamente técnico e que será investigado".

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