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O Brasil registra mais empregos formais, mas o desemprego cresce

O número de desempregados cresceu pela primeira vez, desde 2009, enquanto o número de brasileiros com carteira assinada avança, com destaque para a região Nordeste

Dilma Rousseff se esquiva de acusações, entre elas a recessão durante seu Governo, no debate de presidenciáveis em 16 de setembro.
Dilma Rousseff se esquiva de acusações, entre elas a recessão durante seu Governo, no debate de presidenciáveis em 16 de setembro. REUTERS

O Brasil vive atualmente um paradoxo que se revela emblemático para as gestões petistas. Se a política econômica dos governos Lula e Dilma Rousseff se voltaram para preservar e formalizar empregos a qualquer custo, a retração da economia nos últimos tempos já cobra as demissões. Pela primeira vez desde a crise de 2009, o desemprego subiu no Brasil, segundo os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em sua Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). O desemprego subiu quatro décimos percentuais em 2013 (de 6,1% para 6,5%). Entretanto, o emprego formal também aumentou nesse mesmo período de 74,6% para 76,1% no setor privado.

Ao mesmo tempo, a pesquisa revela que em 2013 o número de empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado cresceu 3,6% em relação a 2012 e chegou a 36,8 milhões de pessoas, o que elevou o percentual de empregados com carteira assinada de 74,6% para 76,1%. A região Nordeste liderou essas estatísticas de formalização, com um avanço de 6,8% no ano passado. Mesmo assim, a região tem a menor proporção de empregos formais do país (61%). O Sudeste, por exemplo, tem uma taxa de 81,5% de empregos formais.

Seguindo a tendência dos últimos anos, a renda dos trabalhadores também teve um aumento de 5,7%, principalmente nas classes mais abastadas, quebrando pela primeira vez a trajetória de diminuição da desigualdade social que era observada desde 2002. Nesse sentido, o índice de Gini, o termômetro da desigualdade, confirmou uma leve piora da situação no Brasil no último ano. A renda média dos domicílios brasileiros aumentou 116 reais no ano passado, até ficar em 2.983 reais, ainda que não igualmente. Os que têm mais renda melhoraram sua situação mais do que o resto.

A taxa de analfabetismo, outro indicador fundamental para entender o desenvolvimento de um país, caiu de novo no ano passado, ficando em 8,3% para os maiores de 15 anos (treze milhões de pessoas). Os setores sociais mais afetados por esse problema continuam sendo, no Brasil, as mulheres e os idosos, e a região geográfica mais castigada continua tendo seu epicentro no nordeste do país. A taxa de escolaridade no Brasil segue crescendo, principalmente entre as crianças com idade compreendida entre os 6 e os 14 anos (98,4%).

Os trabalhadores com nível superior completo aumentaram em 0,9% para ficar em 14,2%. No outro extremo, foram registrados menos trabalhadores com escolaridade fundamental incompleta, ainda que continuem sendo 25,7% do total, um dos grandes problemas pendentes para a competitividade do país.

O trabalho infantil (aquele que afeta menores de 17 anos) sofreu uma queda de 12,3% durante o ano passado. Ou seja, 438.000 crianças e jovens abandonaram o mercado de trabalho entre 2012 e 2013. A queda mais relevante foi registrada no segmento de crianças entre 5 e 9 anos, cuja presença se reduziu em 29,2% (24.000 a menos trabalhando). Entretanto, permanecem ativos 3,1 milhões de menores. O mercado de trabalho dos adultos também continua registrando mudanças, como o êxodo das áreas rurais nas quais predomina a atividade agrícola para os núcleos urbanos.

A tendência de crescimento do consumo na classe média segue vigente. Em 2103, 43,1% dos lares brasileiros possuíam ao menos um computador com conexão com a Internet. Os lares com televisão aumentaram (97,2%), máquinas de lavar (58,3%) e carro (43,6%). Dos 65,1 milhões de domicílios permanentes registrados no país, 85,3% têm água corrente, rede de esgoto (64,3%), eletricidade (99,7%) e telefone fixo ou celular (92,7%). Tudo isso mostra um Brasil muito mais desenvolvido em comparação com a situação dos primeiros anos deste século.

Na área de tecnologia, o IBGE confirma que metade dos brasileiros (50,1%) acessaram a Internet em 2013. Por volta de 52,6% dos internautas têm entre 10 e 29 anos. O Brasil passou no ano passado a fronteira dos 200 milhões de habitantes para contabilizar 201,5 milhões de pessoas. Deste total, a maioria se define parda (45%), negra (8,1%) ou índia ou amarela (0,8%). Os brasileiros que se consideram brancos são em 46,1%, configurando uma nação multirracial nas quais há poucos anos estes deixaram de ser maioria.

Fe de errores

Um dia após a publicação desta matéria, na sexta-feira 19 de setembro, o IBGE admitiu ter cometido "erros graves" na Pnad e corrigiu vários dados que constavam na pesquisa, referente a 2013 e divulgada na quinta, 18 de setembro.

As principais correções feitas dizem respeito ao índice de Gini, que mede a desigualdade de renda (o correto é 0,495 e não 0,498, como divulgado anteriormente - ou seja, a desigualdade diminuiu levemente e não aumentou, conforme se acreditava), e ao analfabetismo (que caiu de 8,7% para 8,5% no ano passado e não para 8,3%, o que indica uma queda menos significativa).

O diretor de Pesquisas do IBGE, Roberto Olinto, disse que não houve interferência política nos resultados e sim "um acidente estritamente técnico e que será investigado".