Nicolas Sarkozy volta para a primeira linha da política francesa

Ex-presidente francês anuncia pelo Facebook sua volta com intenção de dirigir seu partido, a UMP Pretende concorrer como candidato nas eleições presidenciais

Nicolas Sarkozy, em uma foto de arquivo.
Nicolas Sarkozy, em uma foto de arquivo.VALERY HACHE (AFP)

Nicolas Sarkozy, o hiperativo e polêmico ex-presidente da República francesa (2007-2012), volta com armas e bagagens para a primeira linha com o país em plena catarse pela crise política e econômica. No meio da tarde, através de sua conta no Facebook, o ex-chefe de Estado anunciou sua volta, acabando com as poucas dúvidas que restavam a respeito. Encurralado nos tribunais por casos de corrupção, seu retorno acrescenta as divisões que desperta na população, mas pode ser a tábua de salvação de seu partido, a UMP (União por um Movimento Popular), arruinado e sem liderança. Disposto a ser o candidato para as próximas eleições presidenciais, o anúncio inicia, de fato, a campanha eleitoral.

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No longo comunicado emitido por Sarkozy (que em 2012 disse que se retirava da vida pública), o ex-presidente afirma colocar-se agora como o candidato à presidência de sua família política. “Vou propor transformá-la profundamente”, diz seu comunicado, “para criar, em um prazo de três meses, as condições para um novo e vasto reencontro de todos os franceses, sem espírito partidário”. Se o seu comunicado não cita as eleições de 2017, o certo é que seu anúncio manifesta uma ambição mais alta. “Depois de uma profunda reflexão”, disse, “decidi propor aos franceses uma nova oportunidade política. Porque seria uma forma de abandono ficar como espectador da situação em que a França se encontra, diante da desintegração do debate político e a persistência de ridículas divergências na oposição”. O ex-presidente fala em construir uma alternativa crível capaz de suscitar “o interesse apaixonado de todos os que não podem suportar o abatimento da França”.

Um dia antes do esperado anúncio, o presidente da República François Hollande evitou se apresentar como candidato para 2017 e recebeu com elegância o provável retorno de seu antigo rival: “Os que governaram o país ontem e anteontem têm o perfeito direito de querer dirigi-lo amanhã ou depois de amanhã”.

Mas Hollande não será, provavelmente, o único obstáculo na ida de Sarkozy para o Palácio do Eliseu. Além dos casos de corrupção abertos na justiça contra ele, a batalha pelo poder dentro da UMP promete dificultar-lhe o caminho. Seu principal adversário interno é Alain Juppé, o ex-primeiro-ministro, que está na frente como candidato do grupo centrista para as eleições presidenciais de 2017.

No próximo dia 29 de novembro, o grupo de centro-direita UMP realiza eleições primárias para eleger seu líder. Sarkozy não dispõe de muito tempo para apresentar sua candidatura. O limite é o próximo dia 30 de setembro. O candidato para as eleições presidenciais será designado, também mediante primárias, em 2016. As últimas pesquisas indicam que, se as eleições fossem realizadas agora, somente Sarkozy ou Juppé seriam capazes de frear o acesso da ultradireitista Marine Le Pen para a presidência da República.

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