Um jornalista dos EUA sequestrado há dois anos na Síria é libertado

O repórter, segundo a rede Al Jazira, foi entregue a profissionais das Nações Unidas, depois da mediação de autoridades do Catar

Imagem do vídeo difundido pelos sequestradores de Curtis.
Imagem do vídeo difundido pelos sequestradores de Curtis. (REUTERS)

O Governo dos Estados Unidos confirmou neste domingo a libertação do jornalista Peter Theo Curtis, sequestrado em outubro de 2012 por milícias sírias vinculadas com a Al-Qaeda. “Todos nos sentimos aliviados e agradecidos por saber que Theo Curtis está retornando, depois de permanecer tanto tempo nas garras da Jabhat al Nusra”, disse o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, em um comunicado.

O alívio é maior ainda “depois de uma semana marcada por uma tragédia inominável”, acrescentou, numa referência à brutal execução de outro jornalista americano, James Foley – que, como Curtis, havia sido sequestrado dois anos atrás na Síria. Foley, no entanto, estava nas mãos do grupo extremista Estado Islâmico (EI), renegado até pela Al-Qaeda, à qual continua vinculada a Jabhat al Nusra (Frente de Apoio, em árabe).

Curtis foi sequestrado em outubro de 2012, quando planejava entrar na Síria pela cidade turca da Antaquia, na província do Hatay, de onde muitos repórteres iniciam sua travessia para o norte sírio, controlado por forças rebeldes e jihadistas. Segundo a rede de TV catari Al Jazira, as autoridades do Catar mediaram a libertação.

Essa informação não foi confirmada por Washington. Kerry se limitou a afirmar que o governo norte-americano se dirigiu a “mais de duas dezenas de países” pedindo “ajuda urgente de qualquer um que pudesse ter instrumentos ou influência” com os sequestradores para conseguir a libertação de Curtis e de “qualquer norte-americano sequestrado na Síria”.

À exceção do caso do também jornalista Steven Joel Sotloff – que o EI, no brutal vídeo da execução de Foley, ameaçou matar se o presidente norte-americano, Barack Obama, não puser fim aos ataques aéreos contra suas posições no Iraque –, não se sabe o número exato de cidadãos dessa nacionalidade ainda mantidos em cativeiro na Síria. Médios norte-americanos disseram nesta semana que haveria pelo menos três ou quatro.

Kerry afirmou que o governo norte-americano “continua usando todas as ferramentas diplomáticas, de inteligência e militares” que tem à disposição para encontrar os reféns e obter sua libertação. No mesmo sentido se manifestou a assessora de Segurança Nacional de Obama, Susan Frise, que recordou em outro comunicado que o presidente prometeu usar “todas as ferramentas à disposição” para libertar os cativos.

Pouco depois que foi divulgado o assassinato de Foley, o governo norte-americano reconheceu que em meados deste ano havia realizado uma operação militar secreta na Síria para tentar libertar não só ele como outros cidadãos norte-americanos, mas a missão fracassou porque os reféns não estavam no lugar que os serviços de inteligência haviam indicado.

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