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O protagonismo dos coadjuvantes presidenciais na história brasileira

De José Sarney, a Itamar Franco, passando por José Alencar, os vices foram capitais para a política de Brasília

O ex-presidente José Sarney, no Senado, em maio.
O ex-presidente José Sarney, no Senado, em maio. Ag. Senado

A história prova que a própria escolha do candidato a vice está longe de ser uma mera formalidade no Brasil. Antes do próprio caso de Marina, não foram poucas as vezes em que o ocupante do posto número dois assumiu um grande protagonismo na política do país.

Na transição para a democracia, após três décadas de ditadura militar, José Sarney assumiu a Presidência (1985-1990) com a morte do titular Tancredo Neves, ocorrida antes mesmo de que pudesse tomar posse do cargo. Já nas primeiras eleições diretas, realizadas para se escolher o sucessor de Sarney, Fernando Collor foi o escolhido. Dois anos depois, no entanto, após um processo de impeachment, coube ao vice Itamar Franco (1992-1995) assumir o cargo.

Outro caso lembrado com frequência é o de José Alencar, vice nos dois mandatos de Lula (2003-2011) e falecido em 2011. Ele teve fundamental importância para que Lula e o PT conquistassem a simpatia e o apoio da classe empresarial brasileira e se consolidassem na disputa pelo Planalto. Alencar foi um crítico ferrenho da política econômica de juros altos do governo como ferramenta de combate à inflação, sobretudo no primeiro mandato.

A escolha do atual vice-presidente, Michel Temer, também teve um importante componente político. Membro do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e tido como um dirigente de caráter conciliador, ele superou a ala da legenda que defendia uma candidatura própria e deu maior peso à candidatura de Dilma Rousseff nos Estados e no Congresso. Agora, refaz a parceria com Rousseff na disputa pela reeleição e por mais quatro anos no Planalto.