A imagem de Campos será reforçada nas campanhas eleitorais

Com pouco tempo para convencer o eleitor, os candidatos do PSB vão atrelar o nome do ex-governador a seus projetos políticos

Eduardo Campos, em foto do último dia 6 de agosto.
Eduardo Campos, em foto do último dia 6 de agosto.UESLEI MARCELINO (REUTERS)

O eleitor brasileiro pode se preparar para, nas próximas semanas, ver a imagem de Eduardo Campos inúmeras vezes na propaganda eleitoral televisiva que começa na terça-feira que vem. Nem a morte dele, no último dia 13, o fará ficar longe das telas. Nos primeiros dias, os principais partidos brasileiros, inclusive os que divergiam de sua postura, farão homenagens ao finado líder do PSB. Daí em diante serão os próprios socialistas que deverão vincular-se insistentemente a ele.

Em Pernambuco, terra natal do ex-governador e que representa 4% do eleitorado nacional, o candidato a sucedê-lo no cargo, Paulo Câmara, já tem ao menos cinco programas políticos gravados ao lado de Campos. Além disso, deverá exibir diversas fotos e filmagens de cenas ao lado do socialista quando era seu secretário de Fazenda. Aos 42 anos de idade, Câmara nunca concorreu a um cargo eletivo. Sua esperança é a de repetir o êxito alcançado por Geraldo Júlio, de 43 anos, outro novato na política que foi alçado a prefeito do Recife em sua primeira disputa eleitoral, desbancando três mandatos seguidos do PT. Na ocasião, o então governador Campos foi o fiador e principal cabo eleitoral de Júlio, eleito no primeiro turno com 51,5% dos votos válidos. Quando começou a campanha tinha 3% das intenções de votos.

“Eu vou mostrar ao eleitor que sou o candidato que o Eduardo escolheu para governar o nosso Estado e continuar implantando o que for necessário”, afirmou Paulo Câmara em entrevista ao EL PAÍS. Segundo colocado nas pesquisas eleitorais, atrás do ex-aliado de Campos o petebista Armando Monteiro (47% a 13%, conforme o último Datafolha), Câmara contava com a ajuda física de seu padrinho eleitoral para se tornar conhecido. Pesquisas internas do próprio PSB mostram que 70% da população não faz ideia de quem ele é. Nas ruas da região metropolitana de Recife há dezenas de adesivos e placas publicitárias com a imagem do criador e de sua segunda criatura.

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Com a ausência de Campos, que deixou o governo com 80% de aprovação popular, outras duas figuras terão de intensificar sua participação nas passeatas e campanhas para ajudar Câmara. A primeira delas é Geraldo Júlio, a primeira cria do ex-governador. O prefeito terá de apresentar seu correligionário ao eleitor da capital. A outra peça fundamental nesse tabuleiro socialista é o atual governador, João Lyra Neto, que era vice até abril, quando Campos renunciou para concorrer à presidência. Lyra Neto, um político da velha guarda pernambucana, tem forte influência no interior. Foi prefeito de Caruaru e era um dos escudeiros de Miguel Arraes (1916-2005), o avô e líder político do presidenciável morto.

Paulo Câmara, candidato ao Governo de Pernambuco

“A perda de um líder político como o Eduardo é irreparável. Até por isso, eu já esperava que seus aliados usassem sua imagem. Não duvido que digam: ‘se o Eduardo estivesse vivo, ele votaria em mim’”, ponderou Ricardo Borges Gama Neto, professor de ciência política da Universidade Federal de Pernambuco.

O que pesa a favor de Câmara também é a articulação feita pelo ex-governador que garantiu uma coligação com 21 partidos ao lado de seu correligionário em Pernambuco e, consequentemente, quase 11 dos 25 minutos diários da propaganda eleitoral de rádio e televisão.

Cenário Nacional

Nacionalmente, até para demonstrar o compromisso com o partido que a acolheu após ter a inscrição de sua legenda vetada pela Justiça eleitoral, Marina Silva, a provável substituta de Campos na disputa, deverá se colar à imagem dele também. Não só ela. O oposicionista Aécio Neves (PSDB) e a presidenta Dilma Rousseff (PT) também o citarão em seus programas eleitorais. “Até quem não é do partido do Eduardo vai citá-lo para fazer uma homenagem. Será algo respeitoso porque não se fala mal de defunto”, avaliou o professor Gama Neto.

O que pesará contra Marina, ou quem suceder o socialista na disputa, será o tempo de rádio e TV. Enquanto em Pernambuco sua coligação tem quase metade do período destinado à propaganda, na esfera federal esse tempo é de 2 minutos e três segundos. Pode ser pouco para quem quer imortalizar um líder político.

O recado dado pelo presidente do PSB em Pernambuco, Sileno Guedes, resume bem qual será a postura dos socialistas até o dia 5 de outubro: “O Eduardo morreu fazendo política, fazendo o que ele mais gostava. Você pode ter certeza que ele vai estar vivo, vai estar presente na campanha do PSB de Pernambuco e no PSB do Brasil. A gente não vai tirá-lo das nossas campanhas. Nem nessa nem nas que virão”.

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