O nome de Marina é consenso como a nova candidata do PSB

As principais lideranças do partido já apoiam o nome da ambientalista e começam a debater quem será o vice. O partido se reúne no dia 17

Marina Silva, em outubro de 2013.
Marina Silva, em outubro de 2013.UESLEI MARCELINO (REUTERS)

O nome da ex-senadora Marina Silva já é consenso dentro do PSB, que agora passa a discutir quem seria seu candidato à vice-presidência. Tanto em Pernambuco, Estado natural do falecido candidato Eduardo Campos, quanto nas demais unidades da federação, os militantes e líderes do partido dizem que seria natural a fundadora do grupo político Rede assumir a cabeça de chapa na disputa pelo Planalto. "Geralmente as coisas mais tristes unem as pessoas, não é impossível que aconteça", disse nesta tarde o deputado Marcio França (PSB-SP), atual candidato a vice-governador na chapa do tucano Geraldo Alckmin.

Caberia a Marina, contudo, aceitar as propostas que já haviam sido colocadas pelo ex-governador pernambucano. "Fizemos uma aliança programática e cabe a ela cumprir o que foi combinado", diz o presidente do PSB em Pernambuco, Sileno Guedes. Para a ministra do Superior Tribunal de Justiça, Eliana Calmon, os compromissos serão mantidos. "A Marina respeita muito as pessoas e é ponderada. Se eu bem conheço ela, posso dizer que honrará todas as coligações realizadas pelo Eduardo", afirma a ministra e agora candidata ao Senado pelo PSB da Bahia.

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O consenso também chega entre os analistas políticos. "Não vejo outra saída que não a Marina. Qualquer outro lá não teria tantas chances de levar a disputa para o segundo turno. Ainda mais se ela repetir o discurso do Eduardo, de que a Dilma Rousseff será a primeira presidenta a entregar o Governo pior do que ela recebeu", afirmou o cientista político Ricardo Borges Gama Neto. O cientista político Fernando Abrucio lembra que Marina tem como traço característico a lealdade, ou seja, ela jamais trairia os princípios firmados com Campos. Segundo o jornal Folha de S. Paulo e O Globo, Marina já teria dado o aval para as consultas no partido sobre o seu nome.

Agora já começam as especulações sobre quem seria seu vice. Entre os potenciais candidatos do PSB ao posto de número 2, atual função de Marina no grupo, estariam outras três mulheres: a ex-prefeita de São Paulo Luiza Erundina, a ex-ministra do Superior Tribunal de Justiça Eliana Calmon e até chegou-se a cogitar a viúva de Campos, a economista Renata Campos.

Erundina seria um dos nomes que congregaria diversas alas do PSB, um partido dividido entre os governistas, os tucanos e os que sempre defenderam uma candidatura própria. O nome de Eliana surgiu como uma renovação na política nacional, já que pela primeira vez ela disputará uma campanha, como senadora pela Bahia. E Renata seria a tentativa, ainda que remota, de manter viva a figura de Campos. Mas, tudo ainda está no terreno das hipóteses. "É apenas especulação, não se falou em nenhum nome em concreto", garantiu o deputado França.

Sobre a possibilidade de ter Renata na chapa, os dois principais afilhados de Campos disseram que essa hipótese ainda não foi cogitada. Antes da convenção que confirmou a candidatura Campos-Marina, Renata teve seu nome sondado para concorrer a uma vaga de deputada federal. A ideia era ocupar o espaço deixado por Ana Arraes, a mãe do ex-governador que era deputada federal e foi escolhida pela presidenta Dilma Rousseff (PT) como ministra do Tribunal de Contas da União. Mas a proposta não prosperou.

 Deputado Márcio França

Geraldo Júlio, prefeito do Recife eleito com o apoio do ex-governador, disse que Renata "não tem nem cabeça para pensar nisso nesse momento". Já Paulo Câmara, o candidato escolhido por Campos para sucedê-lo no Governo pernambucano, acredita que ela participará da campanha de outra maneira, militando. "Ela sempre participou da vida política do marido e do partido, mas internamente. E acredito que continuará assim", afirmou Júlio. Tanto o prefeito como o candidato ao Governo Estadual disseram que apoiarão Marina caso ela seja a escolhida como a candidata à presidência.

Na próxima quarta-feira, dia 17, haverá uma reunião da Executiva Nacional do partido em Brasília. Foi convocada pelo presidente do partido, Roberto Amaral, para bater, ou não, o martelo sobre o nome de Marina como a representante da chapa e, possivelmente, considerar uma formação com um vice do próprio partido de Campos. "A decisão natural é que ela seja a candidata a presidente e então decidir o vice. Não iniciamos o processo interno ainda, mas a minha convicção é que seja a Marina", afirma Rodrigo Rollemberg, líder do PSB no Senado e candidato à Governador do Distrito Federal.

O PSB é um partido pequeno e tem lideranças estaduais ligadas ao PSDB e outras ao PT, algo que poderia dificultar uma unanimidade na escolha. Para a cientista política Maria Socorro Souza Braga, Marina como candidata à presidência é uma eleição mais do que óbvia. "É a única liderança do PSB que tem projeção nacional", diz. Ao mesmo tempo, analisa que Marina terá que criar "um campo próprio para se distanciar do PT e do PSDB", porque somente assim poderá levar o eleitor a diferenciar sua candidatura. "Se o PSB continua com essa confusão, ela não vai deslanchar", garante.

Até mesmo um cenário possível, como o de Marina compartilhar o mesmo palanque que o Alckmin, seu conhecido desafeto político, vai depender de como ela vai organizar a campanha, garante a especialista. "Ela tem, inclusive, maior capital eleitoral. Pode acaparar o voto dos evangélicos que iriam votar no Pastor Everaldo e ser uma força concorrente com o PSDB, que é o partido que mais perde neste cenário", conclui.

O cientista político Mauro Victoria Soares, professor da Universidade Federal de Pernambuco, lembra que Eduardo Campos também era dono de um capital que unia o partido. "Sem Campos, o partido terá muita dificuldade de articulação. O desafio é unir essa característica do Eduardo com o capital eleitoral de Marina Silva", ponderou.

A dificuldade não seria tanto manter o programa eleitoral e a agenda econômica, segundo os entrevistados, mas saber qual vai ser a governabilidade de Marina como presidenta, caso ela chegue ao Palácio. Atualmente o PSB tem cinco governadores, em Pernambuco, Amapá, Espírito Santo, Paraíba e Roraima. Mas, de acordo com as pesquisas de intenção de voto realizadas em cada um desses estados, não é certeza que o partido eleja neste ano seus sucessores. "Além disso, outro elemento que dificulta [a governabilidade] é que as bancadas do PSB na Câmara e no Senado sejam reduzidas. Ela vai ter que atrair ainda mais partidos para apoiá-la", explica Braga.