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ofensiva jihadista

A UE apoia o envio de armas para as autoridades curdas do Iraque

Os países-membros da União Europeia deram sinal verde de acordo com a capacidade técnica e legislativa de cada Estado

A chefa da diplomacia europeia, Catherine Ashton, conversa com os ministros de Relações Exteriores da Itália, Federica Mogherini, e da Suécia, Carl Bildt. Ampliar foto
A chefa da diplomacia europeia, Catherine Ashton, conversa com os ministros de Relações Exteriores da Itália, Federica Mogherini, e da Suécia, Carl Bildt. REUTERS

Os países-membros da União Europeia já têm a autorização política europeia para o envio de armas para as autoridades regionais curdas do Iraque. Após uma semana de idas e vindas, a postura da França e da Itália – favoráveis desde o primeiro momento ao envio de armamento para a luta contra os jihadistas do Estado Islâmico (EI) – se impôs nesta sexta-feira às reticências iniciais do Governo alemão, que nos últimos dias tem mudado seu ponto de vista. Desta forma, a UE permite as capitais a fornecer armas para as autoridades regionais curdas “de acordo com as possibilidades individuais” e abre uma defesa política comum para que elas possam usar frente suas respectivas opiniões públicas. Bruxelas também apoiou a campanha militar norte-americana em defesa da minoria yazidi e contra os planos dos jihadistas de criar um califado.

No documento de conclusões pactuado, os ministros das Relações Exteriores dos membros da UE apoiam o novo Governo iraquiano – comandado por Heider Al Abadi –, fazem um pedido aos países vizinhos do Iraque para acertar ações concretas que facilitem uma “saída a longo prazo” da crise e respaldam a decisão “individual” dos Estados membros de responder positivamente ao pedido curdo de material militar. Esses envios – para os quais a Itália, Espanha e Suécia viam a necessidade do consentimento expresso da UE – deverão contar também com a concordância de Bagdá.

A resposta ao requerimento das autoridades regionais curdas, destaca o texto das decisões tomadas, se fará de acordo com a capacidade e os limites impostos pelas legislações nacionais dos Estados membros. No plano legal europeu, cabe lembrar que Bruxelas já introduziu, há dez anos, uma exceção concreta para o envio de material militar ao Governo do Iraque.

Os parceiros europeus também apoiam os ataques aéreos seletivos dos EUA conta o EI e frisam a “responsabilidade” da comunidade internacional de cooperar com o Iraque na sua batalha contra os jihadistas. Ainda que vários estados membros estivessem decididos a iniciar os envios de armamentos para o Iraque (a França já o havia feito e o Reino Unido e a República Tcheca seguirão seus passos nas próximas semanas), seus Governos buscavam nessa reunião urgente dos titulares das pastas das Relações Exteriores, um respaldo claro da UE que pudesse ser exibido para seus cidadãos.

A Holanda – e nos últimos dias a Alemanha – também deixaram a entender que fornecerão armamento para as autoridades curdas. Apenas a Áustria e a Suécia anunciaram publicamente nesta sexta-feira que não participarão dos envios, alegando não possuir capacidade técnica, e se concentrarão na mobilização de ajuda humanitária. “É o que melhor sabemos fazer”, destacou o ministro das Relações Exteriores sueco, Carl Bildt.

O ministro titular da pasta das Relações Exteriores, José Manuel García-Margallo, disse pouco antes da reunião que o Governo espanhol esperava que se alcançasse um acordo entre os 28 membros da UE antes de se tomar uma reunião a respeito. O ministro das Relações Exteriores também lembrou da atuação “tímida e tardia” da comunidade internacional no conflito sírio.

A partir de hoje Bruxelas avaliará diferentes alternativas para evitar que os jihadistas do EI sigam sendo financiados mediante a venda de petróleo. A diplomacia europeia, entretanto, mostra sua cautela diante da tomada destas medidas. “Mal articuladas poderiam trazer efeitos colaterais indesejáveis como o estrangulamento financeiro dos cofres públicos iraquianos”, diz uma alta fonte comunitária.