CRISE NO ORIENTE MÉDIO

Israel e o Hamas acordam um novo cessar-fogo de 72 horas

Mais cedo, Benjamin Netanyahu havia dito que “a operação prosseguiria”

Um ferido palestino em sua casa destruída após um ataque de Israel sobre um campo de refugiados no norte de Gaza, em 10 de agosto de 2014.
Um ferido palestino em sua casa destruída após um ataque de Israel sobre um campo de refugiados no norte de Gaza, em 10 de agosto de 2014.MOHAMMED ABED (AFP)

Israel e o Hamas acordaram uma nova trégua que entrou em vigor  na meia-noite de hoje (18h de Brasília). Durante 72 horas, não serão lançados foguetes contra Israel nem o Exército bombardeará a Faixa de Gaza. Trata-se do segundo cessar-fogo pactuado entre as partes, depois do que expirou na sexta-feira passada. O Governo de Benjamín Netanyahu estava disposto a prorrogá-lo, mas o Hamas se opôs. Queria conseguir alguma concessão antes de comprometer-se com um novo cessar-fogo. Agora, o Hamas pressionado pela comunidade internacional e debilitado militarmente — a cada dia que passa gasta mais do arsenal de 3.000 foguetes que, diz Israel, lhe restam, todos de baixo alcance —, concordou em parar temporariamente as hostilidades.

Ezzat Al Ahmed, negociador do Hamas, explicou em Cairo que após se reunir pela terceira vez com os mediadores egípcios decidiram aceitar a trégua “com a esperança de que servirá para chegar a um acordo definitivo”. “Instamos à delegação israelense a não perder nem um segundo, devemos aproveitar esta oportunidade. Nossa posição não mudou, nossas demandas são as mesmas e já as fizemos chegar. É necessário que se levante o bloqueio a Gaza por terra, mar e ar. A trégua deve servir para aliviar a crise humana em Gaza”, insistiu. Israel não emitiu comunicado explicando a sua adesão.

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Al Ahmed confirmou que os acordos realizados nesta rodada de negociações serão entre Israel e o Governo palestino e que será a administração de Ramala que ficará encarregada de cumpri-los. Portanto, a polícia civil palestina e não o Hamas se ocupará do controle das fronteiras. Fontes palestinas sustentam que ainda não foi decidido se contará com supervisão internacional.

Israel repetia insistentemente que não negociaria no Cairo se antes as milícias não parassem o lançamento de foguetes. O primeiro-ministro, Benjamín Netanyahu, compareceu ao Conselho de Ministros para ratificar que a operação contra Gaza “continua”, que “em nenhum momento” a deu por concluída e que, de fato, “precisará de tempo e paciência” para se encerrar convenientemente. Sua meta, enfatizou, é a de conseguir um “longo período” de calma para seus cidadãos e “seguirá tomando medidas”.

Até que as partes acordassem a tréguas, outros quatro palestinos morreram neste domingo em Gaza pelos ataques israelenses contra 25 alvos “terroristas”, segundo expressão usada pelo Exército. No entanto, ao menos dois, mortos em Jan Yunis e Rafah, eram civis e menores de dezoito anos, uma criança de 13 anos e um adolescente de 17, segundo o Ministério da Saúde de Gaza. Outras 20 pessoas ficaram feridas. Ao todo, a ofensiva já resultou em 1.918 mortes e cerca de 10.000 feridos em Gaza, além de três civis e 64 militares em Israel.

Na Cisjordânia, já são 18 os civis mortos em protestos desde que começou a ofensiva em Gaza. Todos, salvo um assassinado por um colono, caíram pelo fogo das forças israelenses, informa a ONU. Ontem, uma criança de 12 anos foi baleada pelo Exército de Israel no campo de refugiados de Al Fawar, ao sul de Hebron. Os médicos não puderam salvá-la. Israel abriu uma investigação.

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