Crise na Ucrânia

Putin limitará as importações dos países que sancionarem a Rússia

O presidente irá elaborar uma listagem de produtos que serão limitados ou proibidos por um ano

Putin, em sua residência em Moscou, nesta quarta.
Putin, em sua residência em Moscou, nesta quarta.RIA Novosti (REUTERS)

A Rússia respondeu oficialmente nessa quarta-feira às sanções ocidentais com um decreto que ordena proibir ou limitar a importação dos países que tomaram medidas “contra pessoas jurídicas físicas” ou uniram-se a elas. Isso significa que a proibição pode afetar não somente a União Europeia e os Estados Unidos, mas outros países como a Suíça.

O presidente Vladimir Putin assinou o decreto correspondente, cujo primeiro ponto ordena proibir ou limitar “a entrada no território da Federação Russa de determinados produtos agropecuários, crus e alimentos” de países que impuseram sanções contra o país. No segundo, encarrega o Governo de determinar a lista dos tipos de produtos afetados, que poderá ser corrigida se ele julgar necessário “para o equilíbrio do mercado e para evitar que os preços subam aceleradamente”. A proibição ficará em vigor durante um ano, prazo que poderá ser modificado dependendo da situação.

Mais informações

O decreto de Putin é a primeira represália oficial às sanções feitas pelo Ocidente por conta da crise na Ucrânia. Tantos os Estados Unidos como a União Europeia consideram que a Rússia desestabiliza a situação no país vizinho apoiando os separatistas de Donetsk e Lugansk, para os quais, segundo afirma Washington, entregou armamento pesado.

Moscou, que não esconde sua simpatia pelos rebeldes ucranianos, nega que lhes passe armas e, sobretudo, que lhes entregou o lançador de mísseis ‘Buk’ com o qual os Estados Unidos acreditam que o avião malásio foi derrubado. Ainda não existem provas contundentes de quem na realidade disparou o míssil que causou a tragédia, mas o Ocidente está convencido de que foram os separatistas, por mais que estes neguem e que o Kremlin peça que sejam mostradas as fotos tiradas por satélites norte-americanos que provem o ocorrido.

Anteriormente ao decreto de Putin, a Rússia efetivamente já havia tomado certas medidas de represália, mas não eram uma resposta estatal oficial e colocavam medidas sanitárias, como quando proibiram a importação de maçãs polacas ou de leite ucraniano. O alcance das novas proibições ficará claro somente depois do Governo elaborar a lista de produtos proibidos, o que se espera que ocorra nos próximos dias.