CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO

As companhias aéreas retomam os voos enquanto o Hamas mantém os ataques

Dois palestinos morrem e 59 ficam feridos na Cisjordânia em protestos contra a ofensiva em Gaza

Soldados vigiam prisioneiros palestinos durante a invasão de Gaza.
Soldados vigiam prisioneiros palestinos durante a invasão de Gaza. (REUTERS)

A dezena de companhias aéreas norte-americanas, canadenses e europeias que na terça-feira cancelou seus voos de e para Israel resolveu voltar a operar no aeroporto internacional Ben Gurion. A decisão de suspender as viagens foi tomada depois que um foguete das milícias palestinas caiu em campo aberto, perto do aeroporto, o que acendeu o alerta depois de duas semanas de projéteis milimetricamente interceptados. Agora, oficialmente, indicam que “avaliaram” as condições nas últimas horas e as garantias do Ministério dos Transportes de Israel, que lhes assegurou que o local está blindado.

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O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pediu na madrugada de ontem ao secretário de Estado norte-americano, John Kerry, que fizesse reverterem o veto, o qual estava causando danos à economia e imagem do país. A decisão da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos foi adotada duas horas depois do encontro entre os dois líderes. Fontes do ministério israelense confirmam que o número de viajantes se reduziu dos cerca de 100.000 esperados para 60.000.

A Agência Europeia de Segurança Aérea (EASA) reitera seu pedido de que as autoridades de aviação civil dos Estados membros “avaliem os riscos” desses voos, com base nos padrões que as operadoras empregam –as próprias companhias aéreas. Um porta-voz da agência da União Europeia admitiu na quarta-feira que estão “em contato permanente” com seus homólogos norte-americanos sobre a situação em Israel, informa Ignacio Fariza. No entanto, a Lufthansa e outras empresas mantiveram ontem a suspensão dos voos.

Balcão no aeroporto Ben Gurion.
Balcão no aeroporto Ben Gurion.B. Ratner (REUTERS)

Não houve contra-ordem nem sequer com a nova enxurrada de foguetes que o Hamas lançou ontem contra o aeroporto, duas rajadas no espaço de 15 minutos, no meio da manhã. A Cúpula de Ferro –o sistema de defesa antiaérea– interceptou os cinco projéteis. As sirenes soaram de novo no Ben Gurion pela tarde, mas foi um falso alarme. “Temos material para prosseguir por mais de um mês”, avisou um porta-voz do Hamas à agência Maan.

O Exército israelense afirmou que desde o início da ofensiva terrestre em Gaza, há uma semana, a média de foguetes lançados pelo Hamas baixou para 60 a 80 por dia, quando nos dias de maior virulência beirava os 200. Seu raio de ação também caiu: deixou de alcançar Haifa, quase 140 quilômetros ao norte da fronteira, para chegar a Tel Aviv, no máximo a uns 45 quilômetros. Fontes militares afirmam que o Exército localizou 31 túneis.

A cifra de mortos israelenses se mantém em 3 civis e 32 militares, além de 124 soldados feridos. A Defesa confirmou ontem ter prendido 150 palestinos que se renderam no sul da Faixa de Gaza. Estão sendo interrogados. Além disso, as autoridades afirmaram ter abortado um suposto atentado suicida graças à polícia egípcia; o suposto homem-bomba foi abatido.

O direitista Reuven Rivlin substitui Shimon Peres na presidência israelense

O Gabinete israelense se reuniu nesta quinta-feira e, contra o previsto, somente aprovou ajuda econômica às áreas mais afetadas pelos foguetes e não para aprofundar a ofensiva. O presidente Shimon Peres, que ontem pronunciou seu discurso de despedida no Parlamento israelense, onde entregou o cargo a Reuven Rivlin (Likud), afirmou que a solução dos dois Estados seria a única que traria a calma ao Oriente Médio.

A indignação pela situação em Gaza causou nesta quinta-feira a morte de dois jovens, um de 19 anos e o outro de idade não especificada, no campo de refugiados de Qalandia, na Cisjordânia, durante uma manifestação de mais de 10.000 pessoas, segundo dados da polícia palestina. Outras 59 pessoas ficaram feridas, sete delas com gravidade e uma em estado crítico.

A celebração de um dos momentos cruciais do mês do Ramadã, a Laylat Al Wadr, ou Noite do Destino, aumentou a participação, entre a fúria e a fé. A previsão é que esta sexta-feira será um dia de incidentes em Jerusalém, onde esta semana houve três tentativas de linchamento de árabes por parte de judeus nacionalistas.

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