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O presidente chinês Xi Jinping assina 29 acordos com Castro em uma visita a Cuba

O presidente chinês chega a Havana para ver de perto as reformas

O presidente chinês com o vice-presidente cubano, Miguel Diaz-Canel.
O presidente chinês com o vice-presidente cubano, Miguel Diaz-Canel. AP

O presidente Xi Jinping desembarcou na terça-feira em Havana e assinou com seu homólogo, Raúl Castro, 29 novos acordos nas áreas de finanças, biotecnologia, agricultura, infraestrutura e energias renováveis. Entre os acordos assinados no Palácio da Revolução destacam-se um para a cooperação no ciberespaço e uma linha de crédito de Pequim para construir um terminal no porto de Santiago de Cuba, informa o portal de notícias Cuba debate, citado pela Efe.

Na esfera econômica, foram assinados acordos sobre protocolos de controle de qualidade do tabaco e do açúcar que Cuba exporta para a China, bem como sobre intercâmbios na área de biotecnologia, desenvolvimento de energias renováveis e monitoramento ambiental.

Mais cedo, o presidente Xi visitou o líder cubano Fidel Castro, ao qual apresentou o "respeito" do povo chinês e elogiou a "boa saúde" dele, já perto dos 88 anos. "Você é o fundador das causas da revolução, da construção de Cuba e também da relação entre China e Cuba", disse Xi.

Estava previsto que Xi e Castro tratariam das novas condições estabelecidas na Lei de Investimento Estrangeiro, aprovada por Cuba em março. Entre outras mudanças, a lei permitirá que investidores estrangeiros tragam sua própria mão de obra para executar projetos de construção na ilha, um aspecto que vinha dificultando a implementação das obras acordadas entre Pequim e Havana nos últimos 15 anos.

Xi viaja para conhecer em primeira mão as reformas econômicas realizadas por Cuba, em particular na área do investimento estrangeiro, a fim de concretizar velhos e novos negócios que, apesar da histórica relação política entre os dois Governos, não chegaram a sair do papel. Esta é a quarta e última escala da visita de Xi pela América Latina, durante o qual visitou, ao longo da última semana, Brasil, Argentina e Venezuela, para assinar empréstimos milionários e dezenas de acordos de cooperação. O governo de Raul Castro espera que o mesmo aconteça na ilha, mas antes a China deverá se certificar de que Cuba tenha cumprido com seus deveres.

"A China tem tocado a trombeta para o aprofundamento integral da reforma, e Cuba já está impulsionando de forma integral a atualização do modelo econômico, que traz novas e importantes oportunidades de desenvolvimento para os laços sino-cubanos", disse Xi Jinping em um comunicado divulgado pela mídia oficial cubana após sua chegada a Havana.

Tanto Raúl como Fidel Castro sublinharam nesta semana o papel fundamental do investimento chinês no desenvolvimento da região, com importantes reservas de petróleo, minérios e água doce. "Nosso desafio é trabalhar para a industrialização de nossos recursos naturais e agrícolas, aumentar e diversificar as exportações, e (...) alcançar uma balança comercial mais equilibrada, e nesse aspecto, os vínculos com a República Popular da China podem desempenhar um papel importante", disse Raul Castro em Brasília no dia 17 de julho, durante o encontro de Xi com os líderes da Comunidade dos Estados Latinoamericanos e Caribenhos (CELAC). Em um artigo assinado por Fidel Castro publicado na segunda-feira no Granma, o antigo líder afirma que "a contribuição que a Rússia e a China podem fazer para a ciência, a tecnologia e o desenvolvimento econômico da América do Sul e do Caribe é decisiva".

A China tem importantes negócios no setor petroleiro em Cuba e se explora vários poços na costa norte da ilha. Em junho de 2011, o então vice-presidente chinês Xi Jinping assinou em Havana 13 acordos nas áreas de energia e economia, incluindo dois projetos de ampliação da refinaria de petróleo de Cienfuegos e construção de uma planta de gás liquefeito com a Venezuela. No final daquele mesmo ano, Pequim concluiu a construção da plataforma Scarabeo-9 para perfuração em águas profundas na Zona Econômica Exclusiva de Cuba no Golfo do México. Apesar desses altos e baixos, a China é o segundo maior parceiro comercial de Cuba, depois da Venezuela, com um comércio bilateral, que passou de 590 milhões de dólares (1,3 bilhão de reais) em 2004 para 1,4 bilhão de dólares (3,1 bilhões de reais) em 2013.

Nos últimos 17 anos, Raul Castro visitou Pequim três vezes: em 1997 e 2005 para conhecer a "experiência chinesa" em reforma econômica sem abertura política, e em 2012, em busca do apoio de seus antigos parceiros para a renovação de seu modelo socialista. Sua aspiração é concretizar a participação chinesa na Zona de Desenvolvimento Especial do porto de Mariel, a maior aposta cubana para atrair o investimento estrangeiro e superar a estagnação econômica.

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