Operação Limite Protetor

Os alertas aéreos voltam a soar em Jerusalém depois de várias explosões

O Exército israelense dispara contra 322 alvos na fronteira. O número de vítimas é próximo de 80

A escalada da violência em Gaza continua. (atlas)

Eram 18h02 da tarde (12h02 no horário de Brasília) quando as sirenes voltaram a tocar nesta quinta-feira em Jerusalém, alertando da chegada de novos mísseis lançados pelas milícias de Gaza. Segundo informa o departamento de comunicação do Exército de Israel, foram quatro os mísseis lançados contra a cidade triplamente santa. Dois foram interceptados pela Cúpula de Ferro, o sistema antimísseis que se localiza nos pontos mais críticos da região com até sete baterias antiaéreas, e os outros caíram em descampados. Não foram registrados feridos ou nenhum dano material. Ainda que as fontes militares inicialmente tenham indicado que os impactos aconteceram na zona sul da cidade, a Polícia afirma que um dos mísseis tocou o solo palestino, caindo em território da Cisjordânia próximo à colônia judia de Maale Adumim, mais a leste. O Hamas assumiu a autoria do lançamento e confirmou que lançou mísseis M75, considerados de longo alcance.

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É a segunda vez nesta Operação Margem de Proteção, iniciada há três dias, que a sirenes tocam em Jerusalém, a mais de 80 quilômetros da fronteira com Gaza. Durante a noite de terça-feira, até as 22h30, outros dois foguetes caíram na região. Um deles, em uma área montanhosa conhecida como Mateh Yehuda e o outro, no assentamento de Psigat Zeev, na zona oriental. Também não houve danos matérias ou feridos. No ataque desta quinta-feira, contudo, o barulho do impacto e das interceptações foi perfeitamente audível em toda a Jerusalém, cuja rotina não foi afetada mais que alguns minutos, enquanto se buscava abrigo.

Israel intensificou a Operação Margem de Proteção sobre Gaza na noite de quarta-feira. O Exército hebreu disparou contra 322 alvos na fronteira, causando a morte de pelo menos três pessoas, o que eleva para 74 – dos quais 22 são crianças, segundo o Centro Palestino de Direitos Humanos – o número de mortos pelos bombardeiros, de acordo com a Agência Reuters. Israel argumenta que dispara sobre alvos do Hamas, o grupo islâmico palestino que controla Gaza desde 2007, que por sua vez lança mísseis sobre o território israelense, com um raio de alcance cada vez maior. O Egito abriu sua passagem fronteiriça de Rafah, único cruzamento de país africano da fronteira, para receber os feridos palestinos, segundo a agência de notícias estatal egípcia.

A ONU faz reunião de urgência

"Estamos diante do risco de uma escalada total de ataques, com a ameaça ainda palpável de uma ofensiva terrestre" das forças israelenses em Gaza, disse nesta quinta-feira o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, ao divulgar um informe sobre a situação do Oriente Médio ao Conselho de Segurança da organização.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas reuniu-se em caráter de urgência devido ao aumento da violência entre Israel e o movimento islâmico Hamas. Ban Ki-Moon já havia condenado na quarta-feira os ataques e pediu "a máxima contenção" a todas as partes para que se evitasse uma espiral de violência. "Este é um dos testes mais críticos pelos quais esta região já passou nos últimos anos", acrescentou. A situação é "insustentável", declarou.

A reunião do Conselho de Segurança foi presidida pelo representante de Ruanda, Eugene Gasana, que escutou uma troca de acusações entre o observador permanente da Palestina na ONU, Riyad Mansur, e do chefe da missão israelense, Ron Prostor.

A reunião, que aconteceu na sede de Nova York, foi solicitada pela Liga Árabe na terça-feira, depois de se intensificarem os ataques de Israel sobre a Faixa de Gaza, assim como o lançamento de mísseis por palestinos contra o território israelense.

O embaixador do Kuwait, Mansour al-Otaibi, foi quem pediu a ação. "Acho que é a hora do Conselho promulgar uma declaração ou uma resolução.

No começo da tarde, o Exército já informou que outro foguete havia atingido uma casa particular em Sha’ar HaNegev, no deserto do Negev, causando danos materiais, mas sem atingir os moradores. Nesta mesma região, também foi danificada a entrada de uma escola, que não estava aberta. Até nove mísseis foram lançados contra o Conselho Regional de Eshkol, de forma simultânea, em uma tentativa de superar as baterias antiaéreas. No fim, houve apenas danos menores em um carro. Nestes dias de operação, têm sido registrados em toda Israel feridos levemente por estilhaços.

Até agora, nesta quinta-feira, nenhum míssil superou os 90 quilômetros de distância, como aconteceu ontem quando dois projéteis ficaram muito próximo de Haifa, mais de 130 quilômetros ao norte de Gaza, um marco histórico para as milícias da fronteira. Nesta manhã, pelo menos quatro mísseis sobrevoaram Tel Aviv, mas todos eles foram anulados pela Cúpula de Ferro. Alguns detritos caíram em ruas que estavam em plena atividade, mas sem ferir os pedestres.

Desde a meia-noite, Israel foi alvo de 120 foguetes (no total, já são 470) dos quais 103 causaram algum impacto e os demais foram destruídos no ar. A efetividade das baterias antiaéreas nas áreas em que estão localizadas chega a quase 90%, acrescenta o Exército.

Nesta manhã, depois de uma nova reunião do gabinete de segurança local, o primeiro-ministro israelense, Benjamín Netanyahu, deixou claro que no momento não vê uma nenhuma solução negociável. “Não estou falando com ninguém sobre uma trégua neste momento. Nem sequer está na agenda”, disse. Já à noite, o Ministério do Exterior do Egito – país que em novembro de 2012 conseguiu promover a paz entre as partes, mas que hoje praticamente não tem influência no Hamas, agora que a Irmandade Muçulmana não está no poder – reconheceu que estava se limitando a passar de um lado para o outro uma série de reclamações e exigências.

Declarações de Ban Ki-Moon sobre Gaza. (reuters_live)

Ze’ev Elkin, o presidente do comitê e membro do partido de Netanyahu, propôs tomar medidas ainda mais duras contra Gaza, incluindo cortar água e eletricidade de Israel até a fronteira. Netanyahu mostrou-se reticente: “Os assessores legais não permitiriam”. Netanyahu ordenou que aumentem os ataques aéreos e já destacou que Israel não se permitirá tomar tais decisões, como fazem outros países em tempos de guerra. “Não podemos fazer com eles o que os russos fizeram com os chechenos”.

Fontes militares insistem que a pressão sobre os islâmicos será reforçada pelo menos nos próximos três ou quatro dias, e nesses dias continuarão os bombardeios aéreos e pelo mar, e depois disso, “se a calma não voltar aos cidadãos”, serás seriamente cogitada uma intervenção militar por terra. Já há 14.000 soldados espalhados pela fronteira.