“Um vexame histórico”

Os jornais brasileiros se enfurecem e exigem que a Canarinho repense seu modelo

Capa do jornal italiano 'Corriere dello Sport'.
Capa do jornal italiano 'Corriere dello Sport'.

No dia seguinte à vergonha monumental que o Brasil sofreu no estádio do Mineirão, onde engoliu um histórico 7 x 1 ante a uma devastadora Alemanha, a imprensa internacional oferece uma opinião unânime: a derrota da seleção Canarinho foi humilhante. As críticas à equipe dirigida por Luiz Felipe Scolari são tão ferozes quanto são justos os elogios feitos à Alemanha, um time que foi crescendo ao longo do torneio até a explosão goleadora de ontem à noite.

“Vexame” é o vocábulo mais repetido nas reportagens dos veículos do Brasil. Assim começa O Globo, para quem “é necessário que reformulemos nosso futebol” e que, mais além, lista uma série de pontos para explicar a queda da seleção. “O mais óbvio não foi sequer a ausência de Neymar. O problema foi a desproteção no meio de campo, um deserto, justamente o ponto forte da Alemanha. A escalação na qual o técnico apostou foi provavelmente aquela com quem menos realizou treinos”, afirma o jornal. E acrescenta: “Sentimos saudades de Neymar? Claro. Mas não ter seu jogador mais criativo significa que você deve reforçar o coletivo”.

A Folha de São Paulo segue a mesma linha crítica e insiste, através das vozes de vários ex-jogadores brasileiros, que a Canarinho precisa de uma revisão de sua ideologia após “a humilhação do Mineirazo”. O Lance é igualmente contundente: “O Brasil entra para a lista da vergonha da Copa do Mundo”, destaca, em sua edição digital, na qual fala de “um vexame histórico”. O Estadão completa: “No país do futebol, a Alemanha deu uma aula”.

“Brasil, diga o que ‘sete’”

Dois dos grandes ícones do futebol, Pelé e Maradona, se manifestaram após o confronto entre Brasil e Alemanha. Mas o fizeram de maneiras bem diferentes.

O Rei tentou atenuar a tragédia: “Eu sempre disse que o futebol é uma caixinha de surpresas. Ninguém esperava esse resultado”. “Vamos conquistar o hexa na Rússia. Parabéns, Alemanha!”.

Já o ex-jogador argentino mexeu na ferida. “Brasil, diga o que ‘sete’”, zombou El Pelusa, acrescentando: “Com 6 x 0 eu já estava a ponto de suspender a partida porque o set estava ganho. A Alemanha não passou por cima do Brasil, ela o esmagou”.

A eliminação do Brasil e o espetáculo alemão também tiveram grande repercussão na Europa. “As vaias dos milhares de torcedores foram uma expressão de desagrado para um dos momentos mais incríveis da história do futebol. O Brasil tinha esperado muito por esta Copa do Mundo, mas foi humilhada pela Alemanha”, diz a Der Spiegel. Mais efusivo, o Bild se diverte com o triunfo da equipe de Löw: “Sem palavras”. “90 minutos, sete gols, uma vitória para a eternidade”. “Inconcebível! Gigante! Fantástico!”. O jornal também qualifica Klose como “o Deus do futebol”, que com seu 16o gol se tornou o maior artilheiro na história das Copas.

Na França, o L’Equipe traz como manchete: “Inacreditável”. E segue: “Os brasileiros foram desintegrados como ninguém jamais havia sido na história do futebol”. O Le Figaro aprofunda: “O Brasil vive um drama nacional”. Na Itália, o La Gazzetta dello Sport afirma: “Histórico: Alemanha bate o Brasil por 7 x 1. Tristeza total. Cinco gols em 29 minutos. Brasil, o drama mundial do futebol”. O Corriere dello Sport crava em sua capa, ao lado de uma foto de um cabisbaixo David Luiz e um enorme “7”: “Humilhados”. Na Argentina, o Clarín e o La Nación são diretos: “Surra histórica” e “Queda humilhante” são suas manchetes, respectivamente.