Morre o ex-presidente haitiano Leslie Manigat

O antigo mandatário morreu aos 83 anos em sua casa de Porto Príncipe

Leslie Manigat em agosto de 2004.
Leslie Manigat em agosto de 2004.THONY BELIZAIRE (AFP)

O ex-presidente haitiano Leslie Manigat morreu na sexta-feira aos 83 anos em sua casa de Porto Príncipe, depois de padecer de uma longa enfermidade, agravada durante a última semana pelo vírus da chikungunya. Manigat governou o Haiti durante quatro meses e meio, entre 7 de fevereiro e 20 de junho de 1988, até que um golpe militar o tirou do poder. Historiador, politicólogo e educador, é lembrado como um dos intelectuais mais notáveis e influentes do Caribe.

Leslie François Manigat nasceu em Porto Príncipe em 16 de agosto de 1930, de um casal de professores: a mãe dava aulas em uma escola primária e o pai ensinava matemática no secundário. Em 1949 começou a estudar Ciências Políticas na França. Regressou ao Haiti em 1953 e ali trabalhou como diretor de Assuntos Políticos do Ministério de Relações Exteriores. Em janeiro de 1961, depois de acusado pelo regime de François Duvalier de instigar revoltas estudantis, ficou preso durante dois meses na Penitenciária Nacional. Em 1963 foi para o exílio, com a ajuda da embaixada argentina.

Nos anos seguintes viveu nos Estados Unidos, França, Trinidad e Tobago e Venezuela, e deu aulas na Universidade Johns Hopkins, de Baltimore, na Universidade de Paris, no Instituto de Relações Internacionais da Universidade das Índias Ocidentais, de Port of Spain, e na Universidade Simón Bolívar, de Caracas, Entre seus alunos se encontram Sandra Honoré, atual chefe da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), e sua segunda esposa, Mirlande Manigat, doutora em Ciências Políticas, com quem se casou em 1970.

Leslie Manigat voltou ao Haiti em abril de 1986, dois meses depois da queda de Jean-Claude Duvalier, que aos 19 anos –em1971– herdou a ditadura instaurada por seu pai, François “Papa-Doc” Duvalier. Ao regressar, Manigat fundou o partido União dos Democratas Nacionais Progressistas (RDNP, na sigla em francês), com o qual venceu as polêmicas eleições presidenciais convocadas para janeiro de 1988, nas quais obteve 50,29% dos votos e das quais só participaram 10% dos haitianos habilitados a votar. Em 20 de junho desse mesmo ano foi derrubado por um golpe militar comandado pelo general Henri Namphy, que já tinha governado o país interinamente depois da queda de Duvalier e que, por sua vez, foi deposto três meses mais tarde, em um golpe liderado pelo general Prosper Avril.

Manigat voltou a disputar a Presidência haitiana em 2006, mas só obteve 12,4% dos votos e o vencedor foi o presidente René Préval, eleito pela segunda vez para o cargo. Sua esposa, a professora Mirlande Manigat, se candidatou ao cargo de presidente nas eleições de 2011 e foi derrotada no segundo turno pelo cantor Michel Martelly, que ainda exerce a Presidência.