O Google se concentra no relógio e na roupa inteligente

A empresa explica sua expansão, que inclui desde ‘smartphones’ até objetos de uso diário, como carros e televisores

David Singleton na coletiva do Google.
David Singleton na coletiva do Google.Stephen Lam / AFP

Mais de 5.000 desenvolvedores, a maioria homens, e mais de um milhão de pessoas pelo YouTube (segundo suas cifras), esperavam a aparição de Sundar Pichais, vice-presidente do Google e principal responsável pela estratégia de futuro da empresa, para escutar quais serão as novidades no ambiente Android e sua expansão para relógios, carros e televisões. “Já temos 20% de mulheres, uns 8% a mais que na edição anterior”, justificou.

Pichai, de origem indiana e forte sotaque, insistiu em que o celular é a chave. Já contam com mais de um bilhão de usuários ao dia. “Tiram até 93 milhões de selfies por dia”, revelou. A questão é como sabem disso.

Foi preciso esperar uma hora para que começassem as novidades mais chamativas. David Singleton, diretor de engenharia do Android, apresentou o Android Wear, a plataforma para os aparelhos de vestir e integrar-se com celulares e tablets. “Vamos usar pequenas peças de tecnologia junto a nós, quadradas ou redondas. Os sensores servirão para ter melhor controle de nossa saúde, conseguir metas esportivas e ficar mais saudáveis. O celular responderá a dúvidas sobre tudo isso”, expôs.

Twitter, Google Now (um site de busca preditivo), Maps e Gmail são os aplicativos para os relógios de pulso. Todos serão resistentes à água. Muito mais prático será saber, apenas dando uma olhada no pulso, se encomenda da Amazon vai demorar. O Pinterest, rede social com uma alta taxa de mulheres entre os usuários, deu o passo para estrear em relógios. A YES.fm, rádio por streaming da Prisa Radio, já preparou seu desenvolvimento através de Intelygenz. Vai se tornar o primeiro aplicativo para escutar música no smartwatch do mercado.

Será possível pedir um carro, mas não um táxi pelo Uber, empresa na qual investem, e sim no Lyft, concorrente nascido em São Francisco. Os relógios começam a ser vendidos, tanto da LG, Motorola e Samsung. Prometem que no segundo semestre chegarão mais modelos e, sobretudo, aplicativos. Aí estará a chave de seu sucesso, que seja útil.

O problema? Que é um aparelho pensado para um consumo passivo. Serve para ver o que acontece, mas dificilmente para responder ou interagir. Apenas para tomar notas ou fazer buscas, e sempre junto com o celular. Carece de independência para navegar pela Internet se o celular não fornecer a conexão. O Google quer evitar distrações, por isso pode ser colocado em modo silencioso e evitar interrupções durante um jantar em família.

O Volta será seu plano para melhorar a vida da bateria, para que todos os seus aparelhos aguentem até o final do dia afastados da tomada. A segurança dos downloads está também na sua lista de deveres. Segundo Pichai, a empresa mantém esforços para livrar seus serviços de malwares (softwares maliciosos). “Se roubarem o seu celular, você poderá configurá-lo do jeito que saiu da fábrica à distância”, disse Pichai. Essas novidades fazem parte do Android L, a nova versão do sistema operacional. O Google amadurece e deixa para trás o costume de colocar nomes de doces nas suas atualizações – a última foi Kit-Kat.

Patrick Brody foi o responsável por explicar como o Android se entenderá com os carros. “Não queremos que o celular seja usado ao volante. Ele é responsável por 20% dos acidentes ocorridos nos EUA”, observou. O Android para carros contará com 40 fabricantes associados. Os primeiros modelos sairão ainda neste ano.

Mais informações

O Android TV, segundo Singleton, será tão potente quanto seus tablets, mas integrado à televisão. Ele pegou o celular e disse: “Breaking Bad”, e apareceu na tela de TV uma coleção de episódios, com informação da série, atores, audiências… Terá jogos, Netflix para ver séries e TuneIn para escutar diferentes emissoras. O Chromecast, que se conecta a qualquer monitor com porta HDMI, será o único acessório necessário para seu uso.

O Chromecast é um dos aparelhos mais vendidos no Amazon. Já está em 18 países, entre os quais a Espanha. O que é natural quando se leva em conta que custa 35 dólares, contra os mais de 100 do Kindle Fire e Apple TV.

Os norte-americanos assistem em média cinco horas de televisão por dia. “O que acontece nas outras 19 em que ela está desligada?”, perguntaram-se. Querem que se torne um monitor que mostre fotos. Em suma, aproveitar melhor o aparelho que continua ocupando um lugar privilegiado na sala. O Vine e o Flipboard estão entre os primeiros aplicativos nesse formato.

Os tablets já vinham se destacando. Passaram de 32% do mercado mundial em 2012 para 46% em 2013 e 62% em 2014. Todo um golpe para a Apple que, por outro lado, foi a inventora dessa categoria de produto, com o iPad.

Os aplicativos, precisamente o produto feito pelos participantes da conferência, são cada vez mais relevantes. O número de instalações subiu 236% com relação ao ano anterior.

O Android One será a sua plataforma de desenvolvimento para países em desenvolvimento, cruciais para a sua expansão e para frear um possível avanço da indústria chinesa. O modelo inicial custará 100 dólares. “Nós o atualizaremos assim como os aparelhos com o Nexus, nos comprometemos a isso”, salientou.

O vice-presidente de design da empresa, Matías Duarte, declarou seu amor ao papel. “A mente humana segue viciada em objetos. O que tocamos chega até dentro de nós. O mundo real continua na nossa maneira de pensar”. Assim ele justificou as mudanças na interface do Gmail, por exemplo, com melhores controles táteis e associados à pressão sobre a tela.

Uma das metas do Google é melhorar a relação entre o telefone e o seu dono. Há coisa mais incômoda do que uma quantidade inabarcável de notificações? Consciente desse problema, elas passaram a ser priorizadas conforme as indicações do usuário. À medida que se usa, ele aprende a distinguir quais pessoas são importantes ou se a agenda é mais relevante que o Twitter. Um tremendo alívio para os usuários do Android.

O patinho feio, o computador, teve seu momento de atenção. O Chromebook, um PC que só contém o navegador Chrome, ganha relevância no mundo educacional. Parece lógico, pois são baratos e permitem que o professor mantenha facilmente o controle da aula.

Em mais de duas horas de conversa, não houve espaço para o Google+, a tentativa do Google de entrar no mundo das redes sociais. No ano passado, ele havia ocupado mais de meia hora. Tampouco para o Nest, seus termostatos inteligentes, empresa adquirida no último ano.

Debido a las excepcionales circunstancias, EL PAÍS está ofreciendo gratuitamente todos sus contenidos digitales. La información relativa al coronavirus seguirá en abierto mientras persista la gravedad de la crisis.

Decenas de periodistas trabajan sin descanso para llevarte la cobertura más rigurosa y cumplir con su misión de servicio público. Si quieres apoyar nuestro periodismo puedes hacerlo aquí por 1 euro el primer mes (a partir de junio 10 euros). Suscríbete a los hechos.

Suscríbete