80 rebeldes são mortos em represália pelo ataque ao aeroporto de Karachi

O exército do Paquistão bombardeia um “esconderijo de terroristas” no Waziristão do Norte O atentado de domingo matou 38 pessoas, incluindo 10 terroristas

Paquistaneses na região de Waziristán, neste domingo.
Paquistaneses na região de Waziristán, neste domingo.STR (AFP)

O exército paquistanês matou pelo menos 80 pessoas nos ataques aéreos que lançou neste domingo contra os esconderijos de supostos rebeldes, maioritariamente uzbeques, na remota região do Waziristão do Norte, próximo à fronteira afegã, segundo informa a Agência France Presse, citando funcionários militares de alto escalão. Fontes da segurança local, no entanto, falam em um número de mortos muito maior, de pelo menos 150, como informam a televisão local Geo e o diário Express Tribune.

Um comunicado do Exército paquistanês assegura que os ataques foram executados depois de confirmada a presença nestes esconderijos de terroristas ligados ao ataque contra o aeroporto de Karachi, no domingo passado, que matou 38 pessoas, incluindo 10 terroristas.

Entre os rebeldes mortos neste domingo encontram-se supostos envolvidos neste atentado, que complicou um pouco mais as negociações de paz entre o Governo e o Movimento Talibã do Paquistão (TTP), que começaram no início deste ano. Um dia depois do fim do ataque ao aeroporto, que durou 12 horas, o Exército lançou uma série de bombardeios à zona rural de Khyber, nos quais morreram 25 rebeldes.

Os ataques aéreos deste domingo aconteceram em torno de 1h30 da hora local (17h30 de sábado, horário de Brasília) e tiveram como alvo a região montanhosa de Degan e Datta, cerca de 25 quilômetros a oeste de Miranshah, a principal cidade do distrito tribal do Waziristão do Norte e região forte dos talibãs e militantes do Al Qaeda na fronteira com o Afeganistão. É o que confirma uma nota divulgada pelo serviço de comunicação do Exército do Paquistão (ISPR), colocada em seu site.

As Forças Armadas fizeram neste ano inúmeros bombardeios contra bases talibãs no cinturão tribal, primeiro em fevereiro e depois no fim de maio, quando mais de 60 supostos rebeldes morreram nos ataques aéreos.

Na semana passada, representantes das autoridades paquistanesas se reuniram com líderes tribais da região do Waziristão do Norte, considerada a maior área de influência do TTP, para exigir que eles expulsem os talibãs e os jihadistas da região. Segundo meios de comunicação locais, as autoridades deram duas semanas para as tribos livrarem-se dos rebeldes. Se elas não conseguirem, o Exército fará uma operação terrestre no local.

Além da pressão militar, o TTP vem enfrentando fortes conflitos internos, que causaram a saída de uma de suas principais facções, o que se supõe uma perda de quase a metade de seus 10 mil combatentes.