“Agora todos tiram o cu da reta”

A bronca a Dilma gera reações de apoio e de contrariedade à presidenta nas redes sociais. O debate político virtual está em alta junto com os comentários sobre a Copa

A ofensa à presidenta Dilma Rousseff nesta quinta-feira no Itaquerão continuou reverberando fortemente nas redes sociais até este sábado. E o que pode ser uma má notícia para os adversários políticos da mandatária: começa a ser sentido um efeito bumerangue para o coro do “ei, Dilma, vai tomar no cu”. O produtor cultural Fernando Gradim foi contundente. “São os justiceiros seletivos. Se esquecem que Serra, Campos, Aécio e até Marina, tentando levar os jogos pro Acre, apoiaram esse evento e fizeram parte da comitiva de Lula. A verdade é que agora todos tiram o CU da reta”, reclamou.

Outra internauta contava: “Há um mês eu não ia votar em ninguém, ia anular meu voto, pois estou mesmo desencantada com tudo isso. Mas também estou sendo jogada nos braços da Dilma”. Mesmo quem não é partidária de Rousseff se sentiu ofendida com a atitude do público que assistiu ao jogo de abertura no Itaquerão, na quinta-feira, dia 12. “Embora no meu íntimo ecoe um grande VTNC [vai tomar no cu] a Dilma, não concordei com o ato hostil e mal educado perante os olhos internacionais...Roupa suja se lava na urna!!!”, escreveu outra.

A jornalista Eliane Trindade, da Folha de S. Paulo, que estava no estádio no momento da abertura, escreveu neste sábado um texto sobre o assunto. “Dilma ganhou meu voto. De solidariedade”, disse ela. “Eu me envergonhei de ouvir xingamento tão desrespeitoso à presidente, à mulher, à mãe e à avó Dilma. E, por tabela, a todas as mulheres presentes, mesmo aquelas que engrossaram o coro.”

As redes sociais, entretanto, serviram de palco para os defensores do “vai tomar no cu” no estádio. Um blogueiro escreveu no Twitter que só foi dado destaque ao xingamento no estádio. Mas, segundo ele, durante a transmissão do jogo num telão em Copacabana, no Rio de Janeiro, a reação teria sido a mesma. “Achando ótimo que os #petralhascanalhas pensem que foi a elite paulista quem vaiou Dilma. Vão pensando e não citem a vaia em Copacabana”, disse. Outro escreveu que foi o próprio PT quem incitou a guerra de classes e que então merece “tomar no cu”.

O jornalista Reinaldo Azevedo, conhecido por suas críticas ácidas ao governo do PT, escreveu na Folha de S. Paulo: “O Itaquerão só provou, presidente, que a senhora governa os vivos, e não os mortos. A democracia existe também para quem não faz ‘mu’”.

O debate virtual se divide, agora, entre política e futebol. Todos os contrários à Copa que reclamavam que havia coisas mais importantes a fazer do que dar tanta atenção ao Mundial, não resistiram ao apelo da seleção em campo e vestiram suas camisetas verde amarela. Se a Copa seria um período de refresco para o debate político, fica claro que ela já marcou um capítulo importante para as campanhas eleitorais que entrarão em campo depois do Mundial.