As CONSEquêNCIAS Das eleiÇões EUROPEiAS

Após a derrota, o líder dos socialistas espanhóis joga a toalha

O resultado da eleição europeia de domingo antecipou o calendário interno do partido. A cúpula decide iniciar a renovação imediata e convoca um congresso extraordinário para julho

Alfredo Pérez Rubalcaba e toda a sua equipe jogaram a toalha: o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) realizará um congresso extraordinário em 19 e 20 de julho. O golpe sofrido nas eleições europeias deste domingo alterou o calendário interno que previa eleições primárias em novembro, e a Executiva nacional decidiu iniciar a renovação de forma imediata, e sem a participação de Rubalcaba. “O congresso servirá para escolher uma nova direção do partido”, afirmou ele. “O que faço é assumir a responsabilidade política pelos maus resultados, e esta decisão foi absolutamente minha.” No entanto, o dirigente assegurou que as primárias abertas serão mantidas para definir o candidato a primeiro-ministro nas próximas eleições. Perguntado sobre sua intenção de novamente se apresentar como candidato a líder do PSOE, ele respondeu: “Naturalmente que não”.

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Rubalcaba disse que, até o congresso de julho, permanecerá no cargo de secretário-geral, exercendo as funções “até que o partido determine quem me substituirá. Sobre meu futuro pessoal, haverá tempo para falar nisso”, destacou. Evidentemente, declarou, continuará atuando como líder da oposição no Parlamento e interpelando o presidente do Governo (primeiro-ministro) nas sessões de controle. Portanto, também pilotará o processo do congresso partidário até que seu substituto seja eleito. Rubalcaba se negou a dizer se abandonará a política ativa depois do congresso de julho.

O líder socialista, durante a entrevista coletiva posterior ao encontro da Comissão Executiva Federal, qualificou como “ruins, sem paliativos”, os resultados eleitorais, apesar da ascensão do voto de esquerda na Espanha. Citou positivamente os resultados dos socialistas na Andaluzia, Estremadura e Astúrias. “Em cada momento decidimos o que acreditávamos que era o melhor para o partido”, insistiu. Rubalcaba se mantém em seu cargo até que se realize o congresso extraordinário, e caberá ao novo líder partidário eleito a responsabilidade de convocar as primárias abertas que escolherão o candidato socialista à chefia de Governo nas próximas eleições gerais. Ele revelou que há tempos havia decidido não se apresentar nas primárias, e afirmou já ter comunicado isso a Elena Valenciano, Óscar López e Felipe González.

Rubalcaba arca com o resultado eleitoral, e suas aspirações ficam condicionadas aos dados do PSOE. Nas urnas, o eleitorado avaliou sua gestão como líder da oposição e sua capacidade de recuperar o partido depois do pior resultado nacional da sua história, o de 2011. Para isso, ele lançou como cabeça de lista a candidata Elena Valenciano, seu número dois e mais direta colaboradora nestes anos. A derrota superou as expectativas mais negativas e significou a maior redução de votos da sua história, com a perda de nove eurodeputados e uma queda de 15,4 pontos percentuais em relação à eleição europeia de 2009.

“Não recuperamos a confiança dos cidadãos. Há pessoas que se lembram que isto [a crise] começou quando nós estávamos no Governo. É preciso alterar as formas de fazer política. As primárias abertas são o final, e por isso o calendário se alterou”, explicou.

Desde a divulgação dos resultados, diferentes dirigentes do PSOE tornaram público o seu desejo de profundas mudanças no partido, de forma mais ou menos expressa. E, ao chegar para a reunião de hoje da Comissão Executiva Federal do PSOE, o líder dos socialistas bascos, Patxi López, um dos aspirantes às primárias do PSOE, reconheceu que o partido “não soube se tornar uma grande referência política para a maioria dos votantes que queriam uma mudança e que votaram na esquerda”. Já o número quatro da lista, Juan Fernando López Aguilar, defendeu a adoção de todas as “mudanças” que forem possíveis.

Paralelamente, a ex-ministra Carme Chacón, que disputou a secretaria-geral do PSOE contra Rubalcaba no último congresso, perdendo-a por 22 votos, deu início a um debate nas redes sociais estimulando uma mudança a partir da base e exigindo que seu partido se abra mais à sociedade. “Só se primeiro nos abrimos à sociedade, a sociedade se abrirá a nós”, escreveu Chacón no Twitter, usando a hashtag #PrimáriasAbertas, que foi um dos trending topics na Espanha durante as duas horas prévias à reunião da Executiva.

Beatriz Talegón saiu a campo e, também pelo Twitter, disse o seguinte nesta manhã, após escutar Rubalcaba: “A partir de agora mesmo, meu compromisso [é] para mudar este partido, dando os passos necessários. Contem comigo! Já aguentamos muito”.

O mais explícito foi o ex-presidente da Estremadura, Juan Carlos Rodríguez Ibarra, para quem Rubalcaba “deve sair hoje mesmo”. As representações regionais do PSOE em Castela-Leão e Castela-La Mancha, entre outras, manifestaram a necessidade de acelerar um processo de mudança profunda no partido socialista.

O secretário-geral do Partido Socialista do País Valenciano, Ximo Puig, afirmou que “evidentemente deve haver reação, embora eu não seja partidário das guinadas gratuitas. É preciso analisar bem, mas, sem desculpas, tomar decisões”.

A partir de agora, começam a acontecer movimentos visíveis para a tomada de posições com vistas ao controle do partido. Ou melhor, começam a se tornar visíveis, já que alguns dos aspirantes trabalham há meses na formação de equipes e na coleta de apoios para essas primárias.

Mas todos os quem têm aspirações – embora até agora apenas para liderar a candidatura, mas não o partido em um congresso extraordinário – relutaram em tornar visível a sua candidatura até o minuto seguinte ao fechamento das urnas, para não serem acusados de desestabilizar o partido em pleno processo eleitoral. Carme Chacón, Eduardo Madina, Patxi López e Pedro Sánchez são os quatro que, de diferentes formas, deixaram entrever sua vontade de concorrer nas primárias.

O regulamento aprovado no último Comitê Federal estabelece um número baixo de apoios para poder disputar as primárias, o que, na prática, aponta para mais de duas candidaturas, com a previsão de resultados apertos e sem a possibilidade de um segundo turno. Na reunião de um mês atrás, Chacón expressou a Madina suas objeções ao regulamento das primárias, especialmente a exigência de uma inscrição prévia. Um dia depois, a ex-ministra expôs isso ao Comitê Federal, embora de forma mais branda.

As primárias para a escolha do candidato nas eleições gerais de 2015 serão, pela primeira vez na história do PSOE, abertas, ou à francesa. Isso quer dizer que poderão votar nelas não só os 220.000 militantes do PSOE (e do PSC, braço catalão do partido), como era até agora, mas também qualquer cidadão que queira participar, desde que assine um texto de adesão aos valores social-democratas e pague uma quantia simbólica de um ou dois euros.

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