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O novo primeiro ministro da Índia se aproxima do Paquistão

Sharif é o primeiro chefe de governo paquistanês a comparecer na cerimônia

O nacionalista hindu toma posse como primeiro ministro da Índia na presença de seu homólogo paquistanês

Narendra Modi rende homenagem a Gandhi antes de sua posse.
Narendra Modi rende homenagem a Gandhi antes de sua posse. REUTERS

“Vamos escrever um futuro glorioso para a Índia”, prometeu o nacionalista hindu Narendra Modi ao tomar posse hoje como novo primeiro ministro da Índia. Modi, do partido Bharatiya Janata, derrotou em uma eleição histórica o Partido do Congresso liderado pela família Gandhi, que governou a Índia na maior parte de sua história. Há 30 anos um partido não ganhava as eleições com maioria absoluta.

“Vou trabalhar sem medo, raiva ou ódio e trarei justiça para todos conforme diz a constituição”, disse na cerimônia presenciada por quatro mil pessoas, entre elas chefes de estado dos países vizinhos, empresários, estrelas de Bollywood e a família Gandhi. Mas a presença mais comentada foi a de Nawaz Sharif, o primeiro ministro do Paquistão.

Pela primeira vez um primeiro ministro da Índia inicia oficialmente seu mandato na presença de seu homólogo paquistanês.

Pela primeira vez desde a fundação do país, em 1947, o primeiro ministro da Índia iniciou oficialmente seu mandado na presença de seu homólogo paquistanês. Nawaz Sharif, chefe de governo paquistanês, compareceu hoje à posse do nacionalista hindu Narendra Modi.

Índia e Paquistão, um só país na época do domínio colonial britânico, são inimigos acérrimos, potências nucleares e já entraram em guerra três vezes desde a separação.

O convite de Modi a Sharif – feito pouco depois de sua esmagadora vitória nas legislativas – é muito relevante. Os analistas destacam que Modi, ultranacionalista de direita, terá uma política de segurança mais severa que o governo do Partido do Congresso e tomará medidas mais drásticas contra os ataques terroristas de origem islâmica em território indiano. A visita foi encarada como um golpe de mestre da diplomacia entre os dois países.

Os analistas destacam que Modi, ultranacionalistas de direita, terá uma política de segurança mais severa do que o Partido do Congresso

“Paquistão e Índia tem oportunidade histórica para acabar com a paralisia”, disse Sharif ao chegar a Nova Déli para a emissora de tevê NDTV. Assegurou que os dois governos tem um mandato forte, o que pode ajudar a dar um passo para inaugurar nova página em suas relações. “Devemos acabar com o medo, desconfiança e receios uns com os outros”, disse.

As reações à visita do primeiro ministro paquistanês foram positivas. Entre elas a do governador da disputada Jammu e Caxemira na Índia, Omar Abdullah, que tuitou “muito contente de que o primeiro ministro paquistanês tenha aceitado o convite, mostra que ele pode vencer as forças contrárias às boas relações com a Índia”.

“É um bom gesto das duas partes. Esperamos que sua visita melhore as relações entre os dois países”, assegura por telefone o ex-comissário da Índia no Paquistão Gopalapuram Parthsarthy. Os analistas crêem que foi uma decisão difícil para Sharif, já que teve de enfrentar setores mais radicais no Paquistão. Recebeu inclusive ameaça do grupo islâmico Lashkar-e-Toiba.

Islamabad informou que libertará 150 presos indianos de prisões paquistanesas

O convite e a visita de Sharif é um brilhante feito diplomático dos dois países, mas ainda falta muito trabalho a ser feito para melhorar as relações entre eles, aponta o diretor do Instituto para Manejo de Conflitos, Ajai Sahni. “É um bom sinal em muitos níveis e nos indica que Modi tem a capacidade de tomar decisões firmes. Vai tomar iniciativas e pelo menos vemos que Sharif está aberto para elas”, assegura. Ainda que o analista alerte que Sharif “faz parte de uma “política de duas faces” do Paquistão em relação ao terrorismo islâmico”.

Na terça, um dia depois da posse, Modi e Sharif terão encontro de meia hora no que os analistas consideram ser uma primeira aproximação na qual não se espera que sejam tomadas decisões importantes, mas sim uma oportunidade para futuras ocasiões de diálogo. Em um gesto de boa vontade, Islamabad informou que libertará 150 presos indianos de prisões paquistanesas coincidindo com a posse.

Modi é um líder muito polêmico que divide a Índia. Muita gente o considera o líder forte de que a Índia necessita, focado em negócios e desenvolvimento. Para outros, é autoritário e não se esquecem da mancha mais negra de sua história: a onda de violência em 2002 em Gujarat. Ainda que o Supremo Tribunal não tenha encontrado evidências suficientes para incriminá-lo, muitos acreditam que fez o suficiente para deter a morte de aproximadamente mil pessoas, a maioria muçulmana, no estado que governava desde 2001.

Além do Paquistão, os líderes de todos os países da Associação do Sul da Ásia para Cooperação Regional (SAARC, na sigla do nome em inglês) compareceram à cerimônia de posse do hinduísta. A imprensa indiana ecoou a “imagem histórica” na qual os líderes dos países vizinhos felicitavam o novo líder.

A página do primeiro ministro na internet foi atualizada imediatamente depois da posse. “Sonhamos juntos com uma Índia forte, desenvolvida e inclusa que se envolve com a comunidade global para fortalecer a causa da paz mundial e o desenvolvimento”. Modi diz acreditar no poder da tecnologia e nas mídias sociais para comunicar-se com o povo.