O Barcelona expulsa do clube uma funcionária racista

A mulher imitou um macaco no jogo entre o Llagostera e o Racing para insultar o jogador negro Koné

Uma torcedora do Llagostera ficou atrás do gol e fez gestos que faziam alusão a um macaco para insultar de forma racista o jogador negro do Racing de Santander Mamadou Koné, originário da Costa do Marfim. Uma ação que as câmeras flagraram em cheio e que teve um custo alto: ela não só foi proibida de voltar aos jogos, como foi mandada embora de seu próprio trabalho.

A mulher foi ao campo do UE Llagostera para presenciar a primeira eliminatória de subida à segunda divisão, um duelo tenso no início, que teve três cartões em apenas 20 minutos. Mas se equivocou em seus gestos. "Este clube condena qualquer tipo de atitude racista e queremos pedir desculpas a todo aquele que tenha se sentido ofendido pelo gesto de uma espectadora”, anunciou a conta oficial do Llagostera no Twitter. O clube, além disso, identificou e denunciou a mulher (que não era sócia) aos Mossos d’Esquadra (polícia local). Desta forma, 24 horas depois do incidente, a presidente do Llagostera, Isabel Tarragó, declarou a mulher persona non grata, ao mesmo tempo que a advertiu que não poderá mais entrar nas instalações do clube. Mas o castigo não parou por aí.

Funcionária do Barcelona, onde trabalhava nas bilheterias do Museu azul-grená, o clube decidiu demiti-la. Se respaldou no código ético instaurado em 2010, onde consta que as atitudes de “discriminação ou trato inadequado de gênero, raça, cor, nacionalidade, crença, religião, opinião política, estado, orientação sexual, deficiências ou qualquer outra circunstância pessoal protegida pelo direito, tanto com respeito a empregados, diretores, sócios ou fornecedores” são contrárias aos princípios e valores da entidade. A resposta fulminante do clube vem depois da polêmica envolvendo Daniel Alves, que foi alvo de uma banana atirada por um torcedor e comeu a fruta, em uma resposta irônica. Neymar também se envolveu e criou uma corrente nas redes sociais com o slogan ‘Todos somos macacos’. No episódio atual, Koné também respondeu à torcedora: “Em relação a esta senhora, melhor não dizer nada... Ela mesma se retratará”.

O Conselho Superior de Esportes (CSD) também propôs à Comissão Anti-violência que solicite à Federação Espanhola (RFEF) a abertura de uma investigação pelos incidentes racistas ocorridos no jogo. E pediu à polícia local que emita “uma ata e a denúncia que foi feita neste caso em concreto, para que a Comissão analise as responsabilidades que possam ser aplicadas".