Bachelet enfrenta sua primeira grande manifestação pela reforma educacional

Os estudantes saem à rua para exigir uma educação gratuita. O protesto deixa 101 detentos e 20 feridos

Imagen do protesto estudantil desta quinta-feira.
Imagen do protesto estudantil desta quinta-feira.Sebastián Silva (efe)

A administração de Michelle Bachelet viu desfilar nesta quinta-feira sua primeira grande manifestação. Dezenas de milhares de jovens dos três principais grupos de estudantes marcharam pelas ruas de Santiago e outras sete cidades de todo o país para protestar pelo modelo de financiamento educativo, uma demanda que foi tratada pelo ex-presidente Sebastián Piñera, mas que não satisfez aos jovens. A jornada foi ofuscada por um grupo de encapuzados que enfrentou a polícia e deixou um saldo de 101 detentos e 20 policiais feridos. Três deles por coquetéis molotov.

A manifestação, de ao menos 40.000 pessoas, aconteceu depois de dois meses de trégua que os estudantes deram a Bachelet. Nesse tempo o ministro de Educação, Nicolás Eyzaguirre, celebrava um par de reuniões com vários grupos de estudantes para tratar o tema da reforma educacional. Em dezembro passado, após vencer as eleições, Bachelet prometeu educação universitária gratuita e de qualidade e o fim dos subsídios do Estado à educação privada. Nesta quinta-feira, os estudantes voltaram às ruas para pressionar às autoridades. O Governo chileno os permitiu marchar em frente ao palácio de La Moneda e ao ministério de Educação, algo que foi considerado como “simbólico” pelos manifestantes pois a rota tinha sido proibida em 2012 pela administração de Sebastián Piñera.

A imprensa chilena assegura que a maior parte da manifestação se desenvolveu em paz e foi encabeçada por emblemáticos ex-dirigentes estudantis como Gabriel Boric, em Santiago, e Camila Vallejo, em Valparaíso. No entanto, ao final do percurso que culminou no Parque Almagro, no centro de Santiago, um grupo de encapuzados protagonizou cenas de violência lançando pedras e coquetéis molotov contra os policiais. A polícia utilizou um furgão antimotins para dispersar a multidão.

O general dos policiais, Ricardo Solar, informou que 101 pessoas foram detidas. “Além disso, há ao menos 20 policiais feridos, três deles queimados com bombas incendiárias”, assinalou o oficial. Solar qualificou de “tranquila e ordenada” a marcha durante todo seu trajeto. “Um grupo minoritário organizados atacou os policiais de forma agressiva”, descreveu o general.

O prefeito metropolitano de Santiago, Claudio Orrego, afirmou que o Governo criará um “comitê de inteligência” com todas as polícias para “identificar estes grupos organizados que não são espontâneos e que estão unidos só para promover a desordem”.

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