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85 alunas do colégio atacado na Nigéria por milícia islâmica seguem sequestradas

Mais de 100 estudantes foram raptadas pela grupo radical Boko Haram na segunda-feira. Até agora, 44 garotas foram libertadas

A confusão em torno do sequestro de mais de uma centena de alunas de um internado na Nigéria continua a cada comunicado. As autoridades estatais informaram neste sábado que 85 garotas seguem desaparecidas, enquanto 44 foram libertadas, depois do ataque pela milícia radical islâmica Boko Haram de sua escola na passada segunda-feira em Chibok, no nordeste do país. 

Ao longo da semana, o Exército chegava a afirmar que todas as vítimas, dentre 15 e 18 anos, teriam sido libertadas exceto oito delas. No entanto, o diretor do internado atacado desmentiu esta informação. Os militares se retrataram nesta sexta-feira e admitiram que a maioria das garotas permaneciam detidas por seus sequestradores. Ao todo, o centro tinha 129 estudantes, e não está claro quantas foram raptadas, embora se calcula que a maioria delas tenham sido.

O porta-voz do Exército, o general Chris Olukolade, explicou que a informação divulgada em princípio que se obteve sobre o terreno procedia de um "canal oficial" e se publicou "de boa fé", mas depois confirmou ser errada, o que foi um fato "desafortunado".

Nas últimas horas, 14 sequestradas conseguiram escapar, pelo que, junto a 30 estudantes que fugiram na passada quinta-feira, o número de menores libertadas é de 44, explicou o comissionado de Educação do Estado de Bono, Inuwa Kubo, citado hoje pelo jornal local The Punch.

"Destas 14 crianças, três estão comigo na Escola Governamental Feminina de Secundária de Chibok (objeto do sequestro), enquanto o governador do Estado, Kashim Shettima, me confirmou que outras 11 crianças escaparam de seu cativeiro", afirmou Kubo. Estas crianças, explicou, já voltaram para suas famílias e estão "a salvo".

Segundo as testemunhas citadas pela imprensa local, o sequestro das estudantes ocorreu na noite da segunda-feira, quando uns 50 homens armados chegaram a Chibok em um trem de veículos e prenderam fogo a prédios públicos e casas. Depois dirigiram-se à escola local de ensino secundária, onde capturaram a todas as estudantes que puderam e as levar em um caminhão. O rapto produziu-se horas após o atentado com bomba, vinculado também pelo Governo a Boko Haram, que na segunda-feira passada causou ao menos 75 mortos em uma estação de ônibus de Abuya.

Boko Haram, que significa em idiomas locais "a educação não islâmica é pecado", luta para impor a sharia ou lei islâmica na Nigéria, país de maioria muçulmana no norte e predominantemente cristã no sul. Desde que a polícia matou em 2009 com o líder de Boko Haram, Mohamed Yusuf, os radicais mantêm uma sangrenta campanha que causou mais de 3.000 mortos.

Com cerca de 170 milhões de habitantes integrados em mais de 200 grupos tribais, a Nigéria, o país mais povoado da África, sofre múltiplas tensões por suas profundas diferenças políticas, socioeconômicas, religiosas e territoriais.