A busca pelo MH370

China comunica que encontrou novos possíveis restos do avião malaio

Malásia informa que Pequim tem imagens de objetos flutuantes no mar Seis aviões intensificam no Índico sul o rastreio visual do Boeing desaparecido As baterias que permitem emitir sinais da caixa preta só durarão mais 15 dias

As autoridades malaias informam que a China tem novas imagens de possíveis restos do avião.Reuters-LIVE!

O Governo da Malásia confirmou neste sábado que um satélite chinês detectou novos objetos flutuando entre a Indonésia e o Índico sul que poderiam ser do avião. Os possíveis restos achados medem cerca de 30 metros de largura por 22 de comprimento e se encontra a cerca de 120 quilômetros dos objetos encontrados pela Austrália nesta semana, segundo a agência de notícias chinesa Xinhua.

Os esforços estão centrados em uma zona do Índico sul, a cerca de 2.500 quilômetros ao sudoeste da cidade australiana de Perth, de onde neste sábado voltaram a decolar os aviões para tentar encontrar os possíveis restos.

A Austrália prometeu fazer o possível para resolver o que se converteu no maior mistério da aviação civil da história. Seis aviões realizam as buscas neste sábado, com tempo bom e boa visibilidade, em uma área de 36.000 quilômetros quadrados, 50% maior que a área explorada na sexta-feira, segundo informou a Autoridade de Segurança Marítima da Austrália (AMSA) em um comunicado. Trata-se de quatro aviões P3 Orion –três das forças aéreas australianas e um da Nova Zelândia- e dois reatores comerciais de longa distância, que saíram de forma escalonada durante o dia, segundo informou um segundo comunicado.

Dada a distância da região e o objetivo da costa australiana, os P3 Orion só têm um tempo efetivo de busca de cerca de duas horas, enquanto o dos dois reatores duram até cinco horas. As equipes enviaram nesta semana quatro boias ao mar, que transmitem à AMSA os movimentos da água.

Dois mercantes já estão na zona. Um deles é o cargueiro norueguês St. Petersburg da armadora Höegh Autoliners, que se desviou de sua rota quando se dirigia de Madagascar a Melbourne (Austrália). Hoje, a previsão é que o navio da armada australiana HMAS Success chegue, que seria capaz de recuperar qualquer tipo de resto do avião. Neste sábado, a previsão também é que aterrissem em Perth dois aviões chineses de transporte para colaborar a partir de manhã com os trabalhos de rastreio. Dois aparelhos enviados pelo Japão chegarão no domingo.

A China enviou oito barcos para se juntarem à busca no Índico sul; entre eles, os navios de guerra Kunlunshan, Haikou e Qiandaohu, que estavam colaborando nos trabalhos de rastreio próximo à ilha indonésia de Sumatra, e um quebra gelos que se encontrava em Perth voltando de uma viagem à Antártica. Dos 227 passageiros que viajavam no voo MH370, 153 são de nacionalidade chinesa.

A Austrália advertiu que os dois objetos detectados no mar poderiam ser um contentor perdido ou outros restos. “Embora esta não seja uma pista definitiva, é provavelmente mais firme que qualquer outra pista no mundo e por isso estamos pondo tanto esforço e interesse nesta busca”, disse hoje o primeiro-ministro australiano na função, Warren Truss, na base aérea de Perth, informa a Reuters. Truss fez questão de dizer que seguirão buscando até o dia em que estejam convencidos de que o rastreio não serve para nada, e esse dia, segundo disse, ainda não está próximo.

O Governo australiano assegurou que está analisando se há novas imagens de satélite que possam fornecer mais informação. As que foram publicadas na quinta-feira são do domingo passado, e os dois objetos detectados –um de 24 metros de largura, e o outro de cinco metros- poderiam ter afundado, segundo advertiu Truss.

A Austrália ainda explicou que os quatro dias decorridos, desde que foram tomadas as imagens até o comunicado do achado, foram necessários para analisar previamente muita informação de diferentes organismos.

As equipes de busca realizam seu trabalho principalmente de forma visual, já que os radares não detectaram nada na quinta-feira. Os dois aviões comerciais monitoram as águas de forma visual, com a ajuda de 10 voluntários a bordo, enquanto os Orion utilizam tanto os radares como a observação visual. Para isso, os aviões estão voando a uma altura relativamente baixa.

Peças de aviões que caíram no mar no passado foram encontradas dias após o acidente. Alguns especialistas acham que uma asa poderia flutuar durante semanas se os tanques de combustível que estiverem vazios e não se encheram de água. Outros asseguram que quando um avião se rompe em pedaços, normalmente só ficam flutuando objetos bem menores como assentos e bagagem dos passageiros.

A Malásia solicitou ao Pentágono norte-americano que disponibilize equipes de vigilância submarina para ajudar na localização do Boeing. O pedido foi feitro na sexta-feira durante uma conversa entre o ministro da Defesa e de Transporte em funções malaio, Hishammuddin Hussein, e o Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Chuck Hagel. Hagel prometeu estudar a disponibilidade deste material militar e se ele será útil para esta missão. O Pentágono afirma que gastou 2,5 milhões de dólares (5,8 milhões de reais) nos trabalhos de busca do MH370 com seus barcos e aviões, e que orçou outros 1,5 milhão de dólares (3,5 milhões de reais).

As autoridades da Malásia não descartaram nenhuma possibilidade para explicar o acontecido, mas afirmam que os indícios existentes até agora sugerem que alguém dentro do avião desligou os sistemas de comunicação, desviou a aeronave de sua rota quando voava sobre o mar do Sul da China, e o obrigou a cruzar de novo a Malásia e se adentrar no estreito de Malaca. A partir daí, não se sabe o que ocorreu. Pôde voar para o noroeste por um corredor aéreo na Ásia central, ou para o sudoeste em direção à Indonésia e o Índico sul, a opção mais provável, e onde estão concentrados os maiores esforços. Além disso, barcos e aviões renovaram a busca no mar das Ilhas Andamão, entre a Tailândia e a Índia.

As principais hipóteses contempladas são uma sabotagem e um sequestro do avião, mas também há a possibilidade de que se produzisse algum fato extraordinário em pleno voo que incapacitara a tripulação, e o avião voasse com o piloto automático durante horas até cair por falta de combustível. Por enquanto, e pela falta de reivindicações terroristas, as suspeitas recaíram sobre o piloto, Zaharie Ahmad Shah, de 53 anos, e o copiloto, Fariq Abdul Hamid, de 27 anos, embora também estão sendo pesquisados o resto da tripulação e os bilhetes aéreos.

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