Merkel adverte que a Rússia sofrerá consequências graves

A chanceler alemã afirma que a UE está decidida a aprovar multas caso ao país não mude de rumo em relação à Crimeia, o que lhe causaria um dano político e econômico "em massa" A OCDE adia as atividades relacionadas com o processo de adesão da Rússia

Angela Merkel nesta quinta-feira durante sua declaração no Parlamento alemão.(reuters_live)

A apenas três dias da realização do polêmico referendo da Crimeia, uma medida que foi qualificada de “ilegal” pelo Ocidente, a chanceler Angela Merkel utilizou a principal tribuna política da Alemanha para ameaçar a Rússia com “danos políticos e econômicos” se não mudar sua política na Ucrânia.

OCDE adia a Rússia

A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) decidiu adiar as atividades relacionadas com o processo de adesão da Rússia, ao mesmo tempo que expressou a vontade de seus membros de fortalecer sua cooperação com a Ucrânia, informou a organização internacional em um comunicado.

Mesmo assim, a instituição conhecida popularmente como o "Clube dos países desenvolvidos" decidiu responder positivamente ao pedido da Ucrânia de fortalecer a cooperação que já existe, com o objetivo de aproveitar a experiência da OCDE para enfrentar os desafios atuais.

Em uma enérgica declaração de seu governo, realizada no plenário do Bundestag (Parlamento alemão), Merkel assinalou que todos os países da União Europeia estavam preparados e de acordo para implementar multas, no caso de que estas medidas tivessem realmente que se aplicadas. “Se a Rússia mantiver o mesmo andamento das últimas semanas, não só seria uma catástrofe para a Ucrânia", disse a chanceler em um tom que surpreendeu por sua dureza e agressividade, “não só voltaríamos a ver a nossos vizinhos da Rússia como uma ameaça, e não só mudaria a relação da União Europeia com o país. Não. Tudo isto poderia causar danos massivos, tanto políticos quanto econômicos”, sentenciou a chanceler.

Merkel anunciou que, depois desta fase, caso não houvesse retrocesso nas tensões entre os dois países, entraria em vigor uma segunda etapa de multas, que prevê o congelamento das contas bancárias que os políticos, militares e oligarcas têm no exterior e dos vistos para viajar. E, no caso de que ainda assim a Rússia continuasse com sua política de desestabilização na Ucrânia, uma terceira etapa seria iniciada. “A cooperação econômica poderia ser afetada de diferentes formas”, advertiu a chanceler.

Em seu discurso, Merkel também acusou o país de estar utilizando métodos do século XIX e XX em prol de seus próprios interesses, uma estratégia, disse, que representava uma violação aberta ao direito internacional e que era inaceitável. “É uma fase de grande insegurança para a Ucrânia. A Rússia não atuou como uma sócia, senão que se aproveitou de suas debilidades. Utilizou o direito dos poderosos contra o poder do direito”, disse.

Apesar da dureza de suas palavras e a energia que mostrou nas ameaças, a chanceler deixou a porta aberta para uma possível solução política à grave crise. Em primeiro lugar, descartou a opção militar e apostou na criação de um grupo de contato internacional com o qual seja possível um diálogo direto entre Moscou e Kiev, que possa abordar todos os temas que sejam necessários, incluído o direito à autonomia da região ucraniana.

Merkel ainda afirmou que “a intervenção militar não é uma opção”. “Para solucionar a crise precisaremos de fôlego. Temos que enfrentar com plenitude porque se trata da defesa da integridade de um país europeu”.

Uma coisa é clara: a intervenção militar não é uma opção” Angela Merkel

Por último, a chanceler recusou as comparações da situação na Crimeia com o que aconteceu em Kosovo, que declarou sua independência da Sérvia em 2008. A separação, disse, violou o direito internacional e, com a intervenção militar da OTAN sem a autorização das Nações Unidas, também violou uma importante resolução da organização internacional. O episódio ocorreu depois que a comunidade internacional testemunhasse uma impotente operação de limpeza étnica na região e de que a Rússia ignorasse todas as recomendações do Conselho de Segurança da ONU.

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