A esquerda da FMLN busca consolidar o seu poder em El Salvador

Neste domingo acontece o segundo turno das eleições presidenciais A FMLN conseguiu em fevereiro 49% dos votos frente ao 38,8% do Arena

Funcionários transportam equipamentos que serão usados nas eleições.
Funcionários transportam equipamentos que serão usados nas eleições. (AP)

As históricas direita e esquerda salvadorenhas medirão suas forças neste domingo para terminar de definir quem será o próximo presidente desta pequena e convulsa nação centro-americana, que enfrenta graves problemas sociais como o desemprego, migração de sua população ao estrangeiro e uma galopante insegurança.

Quem medirá forças  serão o ex-chefe insurgente Salvador Sánchez Cerén, da esquerdista Frente Farabundo Martí para la Liberación Nacional (FMLN), e o dentista Norman Quijano, da direitista Alianza Republicana Nacionalista (ARENA), que no dia 2 de fevereiro foram os mais votados dentre cinco candidatos, mas não alcançaram mais da metade dos votos válidos que segundo a lei local são necessários para ser proclamado o vencedor.

O crescimento econômico, de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) –o menor da América Central e um dos menores de todo o continente americano-, será um dos desafios do próximo governante. “Nisso trabalharemos junto às demais forças de El Salvador”, disse Oscar Ortiz, candidato à vice-presidência pela FMLN, que reconhece o esforço que deve ser mantido para acabar com a exclusão de grande parte da sociedade, bem como para combater a bandidagem e o crime organizado que atinge El Salvador.

A FMLN e a ARENA foram inimigos mortais durante a guerra civil (1980-1992), e continuam sendo no pós-guerra, só que os tiros foram substituídos por confrontações ideológicas que se manifestam nas acusações, ofensas verbais e calúnia, algumas das quais se resolvem nos tribunais de justiça, como o recente pleito entre o presidente Mauricio Funes e dois deputados areneros – Ana Vilma de Escobar e Roberto D´Aubuisson -a quem o mandatário demandou porque em declarações públicas sujaram seu nome e imagem, ao chamá-lo de alcoólatra, viciado em droga e de ter uma vida desregrada, segundo a denúncia.

Para além do foco pontual da polarização local, o ex-embaixador norte-americano em San Salvador, William Walker, outrora considerado inimigo da FMLN, agora reconhece este agrupamento como um partido democrático, bem como sua evolução de buscar o governo em eleições gerais. De visita atualmente neste país, Walker assegura ter a impressão de que "a FMLN pertence ao mundo democrático". "E como digo em um artigo (publicado no The New York Times), não estou recomendando que a gente vote pela FMLN, só estou dizendo que, se eles mudarem, as relações com os Estados Unidos devem ser como com qualquer outro país”, assinalou.

Diferentemente de Walker, que atuou como embaixador entre 1988 a 1992, outros ex-funcionários conservadores do Departamento de Estado dos Estados Unidos, como Elliot Abrams e Roger Noriega, vêem perigo na ascensão da FMLN novamente ao governo por sua suposta relação com a guerrilha colombiana, bem como por suas alianças com Cuba e Venezuela.

Enquanto, o presidente do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), Eugenio Chicas, anunciou nesta sexta-feira a vigência do silêncio eleitoral, no que não pode ser feito chamados a votar por nenhuma facção partidária, bem como o chamado a acatar a “lei seca”, que se refere à proibição da venda e consumo de bebidas alcoólicas desde o sábado até a segunda-feira à meia noite.

Há 4,9 milhões de cidadãos inscritos como eleitores; a isso teria que restar quase meio milhão de pessoas que não possuem ou não renovaram seu Documento Único de Identidade, com o que se exerce o sufrágio, pelo que não poderão votar nos mais de 1.600 centros de votação instalados. “Pretendemos dar um resultado preliminar às dez da noite, ou antes, do próximo domingo”, apontou Chicas, que disse se sentir satisfeito da efetividade do sistema instalado porque assegura e fortalece a democracia.

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