Moscou simplifica os trâmites para obter a cidadania russa

O procedimento simplificado se aplicará aos que tenham o russo como idioma materno e vivam eles mesmos ou seus familiares próximos na Rússia ou na área da antiga União Soviética O Kremlin justifica suas intervenções na Geórgia e na Crimeia como proteção de cidadãos russos

O primeiro-ministro russo, Dimitri Medvedev.
O primeiro-ministro russo, Dimitri Medvedev.YEKATERINA SHTUKINA (AFP)

O primeiro-ministro russo, Dmitri Medvédev, deu nesta quinta-feira detalhe sobre o projeto de lei que facilita a aquisição da nacionalidade russa por parte de cidadãos de outros países da desaparecida União Soviética. A fins de fevereiro passado, Alexandr Zhúkov, vice-presidente da Câmara dos Deputados em representação do partido governamental Rússia Unida, anunciava que sua organização conjuntamente com a administração presidencial e o Governo, bem como com a colaboração de outros grupos parlamentares, estavam trabalhando na elaboração de um documento sobre esse assunto.

Medvédev adiantou na reunião do gabinete de ministros que esses cidadãos poderão obter a nacionalidade em apenas três meses, mas advertiu que se mantém a exigência de renunciar à cidadania de outro país. Este procedimento simplificado se aplicará aos que falem o idioma russo  –a qualidade de tais será determinada por uma comissão e como resultado de uma entrevista com os interessados- que viva eles mesmos ou seus familiares próximos na Rússia, «incluídos os territórios que faziam parte» do império czarista ou da União Soviética.

As pessoas que entram nesta categoria também podem optar à carta de residência permanente sem ter que obter antes, como se exige na atualidade, a permissão temporária.

Ninguém dúvida de que estas facilidades que se introduzirão em breve na legislação serão feitas para que os ucranianos que falam russo possam ser convertido rapidamente em cidadãos da Rússia. O Kremlin condicionou sua intervenção na Ucrânia precisamente à defesa dos cidadãos de origem russa que vivem em território do país vizinho. Enquanto, segundo informaram as autoridades migratórias, mais de 100.000 ucranianos ingressaram na Rússia no último mês.

Por outro lado, as cantoras do grupo Pussy Riot María Aliójina e Nadezhda Tolokónnikova foram atacadas por um grupo não identificado na estação ferroviária de Nizhi Nóvgorod, onde tinham ido para defender os direitos dos prisioneiros nos centros de detenção dessa província. As ativistas, que tomavam café da manhã na cafeteria da estação, foram atacadas por uns jovens que estavam com os rostos descobertos. Eles lançaram comida e atiraram nas caras delas um desinfetante verde muito usado na Rússia para curar as feridas das crianças (viridis nitentis). Tolokónnikova denunciou o fato em sua conta no twitter e no YouTube pode ser visto em um vídeo o ataque e seu resultado.