O promotor pede 1,9 milhão de reais de multa para a filha do Rei da Espanha

Também pedirá 17 anos de prisão para seu marido, Iñaki Urdangarin, e 15 anos para seu ex-sócio

O ex-sócio de Urdangarin chegando aos tribunais de Palma de Mallorca em fevereiro de 2013.
O ex-sócio de Urdangarin chegando aos tribunais de Palma de Mallorca em fevereiro de 2013.

O fiscal Anticorrupção, Pedro Horrach, tem em seu computador o longo texto da acusação final do caso Nóos, de desvio de dinheiro público através do instituto de mesmo nome, cujo diretor é o marido da filha do rei da Espanha, Iñaki Urdangarin. O texto diz que a filha do Rei não deveria ser acusada, caso seu nome ainda conste no relatório final do juiz José Castro. A pena prevista é de 17 anos de prisão para o duque de Palma, Urdangarin, e de até 15 para seu ex-sócio Diego Torres, por peculato, falsidade e delitos fiscais. O cunhado de Torres e assessor fiscal, Miguel Tejeiro, que desenhou as sociedades de fachada e o método tributário dos duques de Palma, terão também uma solicitação de pena de 17 anos.

Para a Infanta Cristina, Horrach pede que sejam pagos 600.000 euros por responsabilidade civil, como partícipe a título lucrativo, por ser sócia de 50% da sociedade familiar Aizoon, na qual seu marido pagou 1,7 milhões de euros ilícitos.

O leque de delitos que Pedro Horrach contempla para a cada um de seus acusados é amplo: fraude na Administração, falsidade, delito contra a Fazenda, lavagem de dinheiro, peculato de volumes públicos, prevaricação. O tempo máximo de possíveis condenações, segundo cada delito que for considerado pelo Tribunal, chega a mais de 130 anos; e, em uma situação mais favorável aos réus, chegaria a 70 anos.

Segundo o critério do procurador público, dos 40 imputados atuais no caso Urdangarin, além da Infanta Cristina, mais da metade deve ficar excluída e isenta de julgamento. O promotor não acusará 24 dos investigados, entre eles o secretário das infantas, Carlos García Revenga. Também ficará sem acusação fiscal a esposa de Diego Torres, Ana María Tejeiro, cuja imputação é um ponto central no conflito entre os ex-sócios da Nóos e a divulgação de informações internas da trama.

Na categoria de ex-políticos, o ex-presidente de Baleares Jaume Matas, do PP (partido do Governo), será acusado pelo promotor de fraude, o que supera cinco anos de prisão. Mata já acumula duas condenações em dois julgamentos do caso Palma Arenas com penas menores, uma delas de até nove meses de prisão.

Pelo ramo valenciano do caso Urdangarin, os negócios do Instituto Nóos com a Generalitat valenciana e a Prefeitura de Valencia, o promotor irá chamar para depor os ex-funcionários públicos e das empresas da Generalitat Elisa Maldonado, Luís Lobón, Jorge Vela, Anjos Mallent, e o publicitário Miguel Zorío, que atuou associado a Urdangarin e Torres em negócios da Nóos. Além disso, uma ex-funcionária da Madri 2016, Mercedes Coghen, que foi a delegada das administrações públicas durante a candidatura olímpica de Madri, será acusada por suposta prevaricação.

O promotor Pedro Horrach considerará as circunstâncias atenuantes previstas para os que colaborarem com a justiça, explicarem seu envolvimento e confessarem os delitos e o caso. Entre os principais arrependidos está José Luis Pepote Ballester, amigo dos duques de Palma, medalhista olímpico e ex-diretor geral de Esporte no Governo de Jaume Matas. Ballester explicou a relação de Urdangarin-Mata e dele mesmo; implicado em diferentes partes do caso, receberá uma pena reduzida em mais de dois anos, mas que caso seja aceita pelo tribunal, pode implicar em prisão.

Outros dois colaboradores da Anticorrupção serão acusados com penas reduzidas porque colaboraram com a investigação: o assessor jurídico de Turismo do Governo Mata, Miguel Ángel Bonet, e o ex-gerente do Instituto de Turismo de Baleares, Juan Carlos Alia –imputado por outros motivos e que foi preso preventivamente.