Uma dezena de imigrantes morre enquanto tentava nadar até Ceuta

Dez corpos já foram localizados pelas forças de segurança, que calcula que ainda faltam quatro para recuperar Cerca de 400 africanos trataram de cruzar a fronteira do Tarajal

A Guarda Civil espanhola recuperou em seu território mais um corpo de um subsaariano que tentou entrar no país a nado. Até agora somente nove cadáveres haviam sido recuperados, todos em águas do território marroquino. A Guarda Civil calcula que faltam ainda quatro corpos para recuperar, já que provavelmente faleceram 14 subsaarianos tentando pular a cerca da fronteira em Ceuta na quinta-feira passada.  A Delegação do Governo da cidade autônoma espanhola ainda não tem confirmada a quantidade exata de vítimas fatais. As autoridades marroquinas recuperaram oito corpos -os de sete homens e uma mulher-. Quatro deles faleceria por esmagamento, segundo a informação procedente de Marrocos, enquanto outros quatro foram encontrados afogados e "a poucos metros da orla". É um dos acidentes mais trágicos desse tipo.

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O acidente aconteceu quando os imigrantes tentavam atravessar a nado o estreito que separa Ceuta da fronteira com Marrocos. Esta zona, o Tarajal, é a única passagem habilitada para o trânsito entre Ceuta e o reino marroquino, e à praia do mesmo nome e pode ser cruzada a pé quando a maré está baixa. Cerca de 400 imigrantes tentaram sem sucesso entrar em território espanhol entre as sete e as oito da manhã desta quinta-feira, mas foram impedidos por agentes da Marinha Real de Marrocos, que contiveram aos subsaarianos na orla, sem que nenhum conseguisse ultrapassar a fronteira. Foi a primeira grande tentativa de cruzar a fronteira deste ano.

Os imigrantes se dividiram em vários grupos; de maneira que, muitos deles tentaram entrar correndo pela fronteira, enquanto outros se lançaram à água no desespero para fugir dos agentes marroquinos. O serviço marítimo rastreia as águas das imediações do local onde se produziu o acontecimento em busca de mais vítimas. 

A Assembleia de Ceuta fez, às 9h30, um minuto de silêncio já programado em memória das vítimas do Holocausto. O presidente da cidade autônoma, Juan Vivas, somou a essa homenagem aos "oito subsaarianos" falecidos que nesse momento tinham contabilizado.

As forças marroquinas continuam buscando mais corpos no mar, enquanto a polícia mantém a vigilância nas imediações da fronteira com uma lancha do Serviço Marítimo. Na praia do Tarajal, a mais próxima à fronteira, não se encontrou nenhum cadáver.

O delegado do Governo em Ceuta, Francisco Antonio González, lamentou o incidente, que qualificou como um "drama humano", e lembrou que aproximadamente mil subsaarianos esperam no meio fronteiriço de Ceuta para entrar de forma clandestina na cidade, segundo informou Efe. González anunciou um comparecimento nesta quinta-feira pela tarde para dar mais detalhes desta tragédia.

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