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Dilma seduz Davos com um plano milionário de investimento às empresas estrangeiras

A presidenta destaca que o país ainda é atrativo, no qual vale a pena investir, com uma "crescente classe média que representa um grande mercado de consumo de massas"

É a primeira vez que comparece ao Fórum Econômico Mundial de Davos, mas a presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, não se deixou intimidar pelo ambiente que envolve essa exclusiva estação de esqui suíça, nem pela presença de algumas das principais fortunas do mundo. Muito pelo contrário, Rousseff usou as armas que os homens de negócios entendem melhor para conseguir atrair o interesse e a atenção dos participantes da cúpula com uma mensagem clara: o Brasil continua sendo um mercado atraente no qual vale a pena investir. Para convencê-los disso, nada melhor que as oportunidades oferecidas por um milionário programa de investimentos em infraestruturas e seu compromisso de favorecer o investimento estrangeiro. ”O Brasil deseja e precisa dessa aliança com o investimento privado, nacional e estrangeiro”, garantiu Rousseff diante do auditório praticamente cheio do centro de congressos, porque, como lembrou, o Brasil oferece “uma classe média crescente que representa um grande mercado de consumo de massas para os fabricantes de carros, computadores, móveis, remédios ou cosméticos”.

O titular brasileiro das Finanças, Guido Mantega, havia feito o trabalho prévio de soldado anunciando em diferentes fóruns ao longo da cúpula a intensão do governo brasileiro de impulsionar o investimento privado mediante a concessão de licenças no valor de 250 bilhões de dólares (603 bilhões de reais) para obras de infraestrutura, portos, aeroportos e estradas, “isso sem incluir os novos contratos para a exploração e produção de gás e petróleo”, frisou num debate. Um gancho suficientemente atraente para assegurar hoje a presença dos dirigentes de algumas das principais multinacionais, como Rafael del Pino, presidente de Ferrovial, e José María Álvarez Pallete, conselheiro delegado da Telefónica, entre muitos outros.

Com os mercados de câmbio revolucionados pelas tensões na Argentina, que contaminaram boa parte dos emergentes, Rousseff garantiu que o Brasil conta com 376 bilhões de dólares (907 bilhões de reais) em reservas internacionais, uma quantia suficiente para “enfrentar com garantias a atual volatilidade dos mercados”. A líder brasileira assegurou, também, que o banco central está decidido a preservar a estabilidade do câmbio e que a continuidade dos fluxos de capital propiciam ao país estabilidade suficiente para fazer frente ao que considera as consequências da retirada dos estímulos monetários pela Reserva Federal dos Estados Unidos.

Com a economia global se recuperando da pior crise financeira desde a Grande Depressão, agora são os grandes países emergentes os que parecem sofrer a temida crise da meia idade, contra a qual essas economias se rebelam. A presidenta brasileira reivindicou o papel que esses países ainda vão jogar na economia internacional, embora tenha admitido que enfrentam uma nova etapa. “Embora as economias desenvolvidas tenha iniciado a recuperação, as economias emergentes continuarão tendo um papel de destaque”, disse. “Os emergentes apresentarão maior dinamismo com uma nova orientação de suas políticas econômicas”.

Rousseff é consciente do temor que suscitam as imagens dos protestos sociais entre os líderes empresariais e não vacilou em abordar a questão na sua intervenção. “As manifestações são parte intrínseca do processo de mudança social e econômica de uma sociedade e meu governo não reprimiu essa expressão legítima da democracia”, garantiu Rousseff. Inclusive os protestos que foram suscitados pelos investimentos em infraestruturas para a celebração da Copa do Mundo este ano e dos Jogos Olímpicos, em 2016, foram transformados por Rousseff numa mensagem econômica: “É preciso avançar na redução da pobreza e no fortalecimento de uma classe média que receba os benefícios do crescimento”. Uma mensagem parecida à de Henry Ford quando defendia o aumento do salário de seus trabalhadores para que pudessem se converter em consumidores dos mesmos automóveis que fabricavam.

“Esse novo Brasil com menos desigualdade se converterá numa prioridade sem abandonar a estabilidade macroeconômica”, disse a presidenta brasileira que foi taxativa ao afirmar que “seremos intransigentes com a inflação” e a redução do déficit público, um dos maiores temores dos investidores internacionais em qualquer país.

O interesse suscitado pela intervenção de Dilma Rousseff contrasta com o limitado entusiasmo gerado no dia anterior pelo presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, e mostra que Davos nesta edição voltou essencialmente às suas origens: converter-se em um marco propício para novas oportunidades de negócios. Depois do entusiasmo suscitado pela presença do líder iraniano e seu ministro do Petróleo e do interesse com que foi recebida a mensagem de Rousseff, não há dúvida de que os Davos man voltam à trilha habitual.

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