Fifa protagoniza nova confusão, desta vez sobre a Copa do Catar

Horas depois de secretário-geral da entidade confirmar Mundial de 2022 no inverno, porta-voz diz que opinião é pessoal e que decisão sobre prazo terá ampla consulta

Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa, em imagem de arquivo.
Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa, em imagem de arquivo.Mikhail Metzel (AP)

Esta não está sendo uma boa semana para a FIFA, ou ao menos para sua cúpula. Depois do episódio recente protagonizado pelo presidente Joseph Blatter com o governo brasileiro sobre a organização da Copa do Mundo, agora foi a vez de dirigentes da entidade máxima do futebol apresentarem versões dissonantes em um curto espaço de tempo sobre o período em que será disputado o Mundial do Catar, em 2022.

Isso porque o secretário-geral da FIFA, o francês Jérôme Valcke, afirmou nesta quarta-feira que o torneio seria disputado no inverno daquele país (verão no hemisfério sul) e não no verão, como de costume. O objetivo da medida seria evitar riscos à integridade de jogadores e torcedores devido às altas temperaturas no período.

Horas depois, no entanto, um porta-voz da entidade saiu à publico para dizer que os prazos atendiam a uma visão pessoal de Valcke, e que tudo ainda deveria passar por uma ampla consulta. Ele acrescentou que nenhuma decisão seria anunciada antes da realização da Copa no Brasil. Dirigentes da entidade já haviam ratificado que a decisão sobre o Catar deverá ser tomada até o fim deste ano.

Valcke já havia afirmado, em 2012, que os organizadores locais do Mundial no Brasil precisavam levar “um chute no traseiro”, devido a uma suposta imobilidade nos preparativos para o torneio do país. Ao perceber o enorme mal-estar criado no Brasil dias depois, ele afirmou ter sido mal interpretado na tradução de seu discurso.

A repercussão envolveu na ocasião trocas de mensagens e telefonemas entre membros da FIFA e do governo brasileiro. No Congresso Nacional, parlamentares criticaram o linguajar de Valcke e pediram respostas rígidas por parte das autoridades do país. O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, acabou aceitando as desculpas da FIFA, mas considerou que episódios como aquele não deveriam se repetir, em nome de uma boa preparação para o evento.

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