O Senado dos EUA vota em Yellen para presidenta da Reserva Federal

O emprego será a prioridade da nova presidenta do banco central dos Estados Unidos A substituta de Bernanke forma parte de um grupo de economistas progressistas

Promover o emprego, a estabilidade dos preços e um sistema financeiro seguro e estável. Esses são os três pilares que sustentam a ação da Reserva Federal. Mas para Janet Yellen, há um mais importante: a principal missão do banco central é "servir a todos os cidadãos". Por isso ela considera que a instituição deve atuar consequente, para garantir que todo mundo tenha a oportunidade de trabalhar duro e prosperar. O Senado dos Estados Unidos aprovou sua nomeação (56 votos a favor, 26 contra e 18 abstenções) como substituta de Bernanke no comando da Reserva Federal.

Yellen será a primeira mulher a dirigir a instituição, justo quando começa o segundo centenário de sua criação. A presidenta da Fed será a mulher mais poderosa do mundo e a primeira a dirigir um dos grandes bancos do G7, o grupo das sete economias mais potentes do planeta. Mas sim há mulheres mandando nos bancos centrais dos países emergentes, como Mercedes Marcó (Argentina), Elvira Nabiullina (Rússia), Gill Marcus (África do Sul), Linah Mohohlo (Botsuana) e Zeti Akhtar Aziz (Malásia).

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Com sua nomeação, os EUA apostam pela continuidade da estratégia monetária atual. Yellen, braço direito de Bernanke, é partidária de manter os estímulos enquanto o mercado de trabalho não se recupera plenamente da crise. Essa posição na Fed lhe permite ser também a pessoa capacitada para orientar o caminho da normalização monetária, sem que isso crie tensões nos mercados financeiros.

Retirada de estímulos

O processo está já está em andamento. Em sua última reunião de 2013, a penúltima presidida por Bernanke, foi decidido recortar 10.000 milhões de dólares (7.300 milhões de euros) do atual programa de compra de dívida, que ficou em 75.000 milhões de dólares (55.000 milhões de euros) ao mês. Este plano é um dos instrumentos extremos aos que a Fed acudiu para evitar um colapso ainda maior do sistema financeiro e da economia.

Na semana passada, o ainda presidente da Fed disse que a retirada progressiva dos estímulos se justifica pelos progressos na economia, tanto fora quanto dentro dos EUA. Mas também afirmou que a recuperação continua incompleta e reiterou que vai demorar para que as taxas de juro subam - estão estancadas em 0% desde dezembro de 2008. Janet Yellen, de 67 anos, sete mais que Ben Bernanke, esteve plenamente implicada nas decisões.

Yellen presidiu a Reserva Federal de San Francisco, um dos 12 bancos regionais do sistema. Isso foi antes de ser vice-presidenta da Fed, em 2010. Ela é considerada uma mão aberta com os estímulos. No entanto, como presidenta da Fed, enfrentará mais pressões, porque será a responsável por dirigir o debate e estabelecer consensos internos no comitê.

Trabalho pela frente

Na  intervenção ante o Senado para defender sua candidatura à presidência da Fed, Yellen deixou claro que ainda há muito trabalho pela frente para recuperar o terreno perdido durante a crise. Segundo assegurou, lhe preocupa o desemprego de longa duração. Mas também garantiu aos legisladores que mudará de direção, se necessário, caso as condições econômicas mudem e a inflação suba. Diante dos senadores Yellen não teve nenhum problema, já que sua eleição foi relativamente fácil depois de sua nomeação, e também porque até esse momento foi o processo que registrou certa incerteza.

Janet Yellen acumula 36 anos dedicados à Reserva Federal. Assumiu a vice-presidência da Fed há três anos. Antes esteve seis na Fed de San Francisco, onde alertou sobre as graves consequências do colapso do mercado imobiliário. Durante a gestão de Bill Clinton, ela presidiu por dois anos e meio o conselho de assessores econômicos da Casa Branca.

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