La Roja quer a cidade mais fria do Brasil

A seleção espanhola joga no dia 23 de junho na cidade de Curitiba, no Sul do país, e a expectativa no local é grande

Vista aérea do Centro de Treinamento do Caju em Curitiba.
Vista aérea do Centro de Treinamento do Caju em Curitiba.shaun botterill (GETTY)

Quando desembarcarem na cidade de Curitiba, localizada no Estado do Paraná, no Sul do país, os jogadores da seleção espanhola vão encontrar um Brasil um pouco diferente do que estão acostumados a ver nas notícias. De forte influência europeia, principalmente de italianos e alemães, a capital paranaense é a quarta cidade que mais contribui com o PIB brasileiro e é conhecida por sua organização urbana, sistema de coleta de lixo reciclável, 33 parques de lazer e abundantes faixas exclusivas para ciclistas. Também é a capital brasileira de clima mais frio e entre os meses de maio e junho suas temperaturas médias variam de 12 a 16 graus centígrados. As mínimas no mesmo período vão de 0 grau a 6 graus centígrados.

Os curitibanos, como são chamados os cerca de 1,75 milhão de moradores do local, costumam dizer que a cidade tem mudanças de clima que correspondem às quatro estações do ano num mesmo dia. E, na época do Mundial, entre o fim do outono e o começo de inverno, uma neblina espessa estaciona sobre a cidade, dissipando-se, às vezes, após as duas primeiras horas do dia.

É nesse local que a Real Federación Española de Fútbol, entidade que organiza o campeonato espanhol de futebol e administra a seleção espanhola, pretende que a atual Campeã Mundial se hospede e faça seus treinos, provavelmente a partir da segunda quinzena do mês de maio, um mês antes da competição. A terceira partida da Espanha, que será contra a Austrália no dia 23 de junho, vai acontecer na cidade. Os espanhóis negociam com o Atlético Paranaense, time local que terminou a temporada de 2013 como vice-campeão da Copa do Brasil, e em terceiro lugar na série principal do Campeonato Brasileiro, o uso do Centro de Treinamento (CT) do Caju.

Situado no bairro do Umbará, na parte sul de Curitiba, o CT do Caju tem a temperatura ainda um pouco mais fria do que no resto da cidade devido à sua localização mais distanciada das concentrações urbanas centrais. E conta com uma estrutura invejável para os padrões do futebol brasileiro: oito campos de futebol, duas piscinas aquecidas, uma quadra de tênis e uma de basquetebol, sala de musculação e dois hotéis com capacidade para 180 pessoas.

O Atlético Paranaense, além de ter uma torcida violenta e brigona, é conhecido por dificultar o trabalho dos jornalistas. O acesso ao CT do Caju é raríssimo e durante a temporada apenas as emissoras de televisão donas dos direitos de transmissão dos jogos conseguem acompanhar os treinos do time por um curto período de 15 minutos, geralmente em um dia da semana.

“O Atlético é um time mais fechado. Aqui, a filosofia é de que o CT é um local de trabalho, não de festa nem de exibição, e isso pode ter chamado a atenção da seleção espanhola”, afirmou uma fonte do clube. Já Mario Celso Petraglia, o controvertido presidente do clube, limitou-se a dizer em entrevista por telefone que não estava a par das intenções da La Roja em se hospedar em Curitiba e que não havia nada confirmado.

Mas a expectativa de outras pessoas na cidade com a chegada dos espanhóis é muito mais calorosa. O jovem Juliano Chade, goleiro do time sub-18 do Atlético Paranaense, disse que está feliz de saber que atual Campeã Mundial pode treinar no local onde ele mora. “Para a gente que passa o ano inteiro aqui, vai ser muito interessante poder ver, ainda que a distância, os melhores jogadores do mundo”, afirma ele, que disse ser um fã do goleiro Iker Casillas.

Segundo o prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet, do Partido Democrático Trabalhista (PDT), as conversas com os representantes diplomáticos da Espanha para que a cidade receba a delegação já estão bastante avançadas. No mês de dezembro, o cônsul-geral da Espanha, Ricardo Martínez Vázquez, foi a Curitiba e tratou especificamente dos aspectos de segurança e infraestrutura para o Mundial. Além disso, está programada para fevereiro a visita do embaixador espanhol, Manuel de la Cámara Hermoso, à cidade.

“Para nós, a vinda da Espanha é um privilégio excepcional. A partida da seleção espanhola já se mostrou a mais procurada entre as quatro que a cidade vai receber, e ainda mais importante é a possibilidade de que a equipe treine aqui”, afirmou Fruet, cujo pai, Maurício Fruet, também foi prefeito da cidade, de 1983 a 1986.

Estima-se que um grupo de até 10 mil descendentes de espanhóis visitem a cidade e o programa de investimentos inclui uma revitalização da Praça da Espanha, uma das regiões de bares e restaurantes mais badaladas da cidade, instalada numa localidade que é conhecida como Soho Batel, em referência ao bairro de classe alta de Nova York.

A Prefeitura afirma que pretende aliviar a crônica falta de táxis, já que há mais de 40 anos as mesmas 2.250 licenças operam na cidade. A ideia é colocar em circulação mais 750 táxis no começo de 2014. Fruet também cita que a cidade vai realizar em parceira com a Fifa a exibição oficial dos jogos, chamada de Fan Fest, que acontecerá também nas outras 11 cidades-sede. No caso curitibano, o local escolhido é a Pedreira Paulo Leminski, um legendário centro de festivais ao ar livre que leva o nome do poeta mais famoso da cidade e já foi palco de apresentações de David Bowie, Pearl Jam, entre outros, e está fechado desde 2008. Paralelamente, acontecerá nessa época um Festival de Inverno, com festivais gastronômicos e apresentações culturais gratuitas.

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