Bruxelas processará sete clubes de futebol espanhóis por ajudas ilegais

Os dois grandes, além do Athletic e Osasuna, enfrentam-se a sanções por não se converter em sociedades anônimas, o que lhes favoreceria fiscalmente ● Valencia, Elche e Hércules, por empréstimos e garantias da administração ● A requalificação dos terrenos da Cidade Esportiva de Valdebebas (Madri) e do novo San Mamés (Bilbao), na mira

Vista do novo estádio de San Mamés.
Vista do novo estádio de San Mamés.

O anúncio de uma sanção europeia a sete clubes de futebol espanhóis, entre eles o Real Madrid e o Barcelona, veio de quem não poderia ser esperado. Ao final de uma coletiva de imprensa em Bruxelas, o ministro de Assuntos Exteriores, José Manuel García Margallo, anunciou que na próxima quarta-feira as autoridades europeias competentes abrirão um expediente pelas ajudas públicas ilegais que os dois gigantes do futebol espanhol, o Athletic de Bilbao, Osasuna, Valencia, Elche e Hércules receberam.

Os motivos para abrir o expediente não são iguais em todos os casos. O Madrid, o Barça, o Athletic de Bilbao e o Osasuna incumpriram as normas europeias por não se converter em Sociedades Anônimas Esportivas. Nos outros três investigados –Valencia, Elche e Hércules- Bruxelas analisará seus vínculos com os cofres da Comunidade Valenciana. Em julho de 2011, o então presidente da Comunidade Valenciana, Francisco Camps, aprovou empréstimos no valor de 118 milhões aos três clubes. Nenhum deles acabaria pagando suas dívidas, e a Generalitat teve que se responsabilizar, com a consequente diminuição das finanças públicas.

Além destes expedientes, a equipe de Joaquín Almunia também investigará o Real Madrid pela permuta de terrenos em Valdebebas e as ajudas que o Athletic recebeu pela construção de seu novo estádio.

Se a sanção prosperar, as sete equipes investigadas deverão devolver as ajudas que a Comissão considere ilegais. O Governo espanhol tem agora um mês para responder e já prepara o recurso que apresentará ante Bruxelas. O ministro tratará de evitar que os clubes tenham que devolver as ajudas; e deu dois argumentos: que não há nada irregular e que defender o futebol espanhol faz parte da Marca Espanha.