Justiça leva ao Supremo o esquema de corrupção de trens do PSDB em São Paulo

Ministério da Justiça envia à Corte o inquérito que investiga as propinas pagas a funcionários públicos por empresas multinacionais que fornecem vagões e trilhos para o metrô de São Paulo, em esquema que funcionou entre 1998 e 2008

Ministro da Justiça Eduardo Cardozo.
Ministro da Justiça Eduardo Cardozo.

O Supremo Tribunal Federal ficou em evidência no último ano no Brasil, pelo julgamento rigoroso do mensalão, que levou lideranças do Partido dos Trabalhadores (PT) para a cadeia. Agora, a mais alta Corte da país está sendo convocada para supervisionar eventuais medidas investigatórias relacionadas às autoridades que vem sendo arroladas em outro esquema de corrupção, que atinge o partido de oposição ao Governo petista, o PSDB.

O Ministério da Justiça enviou ao Supremo o inquérito que investiga o cartel de trens e equipamentos ferroviários que operaram durante a administração de governadores tucanos, entre 1998 e 2008. Segundo a Justiça Federal, o inquérito policial, que investiga a atuação de diversas empresas no esquema, incluindo as multinacionais Siemens e Alstom, foi remetido ao STF porque autoridades detentoras de foro privilegiado perante o Supremo são mencionadas na investigação. Dentre eles, deputados que possuem foro privilegiado perante o Supremo.

A notícia ganhou destaque pelo fato de o STF ter sido criticado, durante o julgamento do mensalão, pelo empenho aplicado nesse processo, com um rigor que nunca havia sido visto antes. Na visão dos petistas, houve partidarização do julgamento. Agora, o Supremo é convocado no meio de uma guerra armada entre políticos do PSDB - incluindo o senador Aécio Neves, pré-candidato à presidência da República no ano que vem – e o Ministério da Justiça, comandado pelo petista José Eduardo Cardozo.

Os tucanos acusam Cardozo de usar politicamente as denúncias do que os petistas batizaram como “trensalão” para atingir o PSDB. O ministro da Justiça foi o responsável por encaminhar o relatório com as primeiras denúncias, feitas por um ex-funcionário da Siemens, à Polícia Federal, que indiciou criminalmente um dos funcionários da companhia de trens metropolitanos em São Paulo, além de um lobista que faria a ponte entre as multinacionais fornecedoras de material ferroviário e vagões de metrô e funcionários do Governo.