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As FARC indignam a Colômbia com atentados em pleno processo de paz

Neste sábado um ataque da guerrilha deixou oito mortos. O presidente Santos qualifica a ação de "incompreensível". Governo e insurgentes negociam em Cuba o fim do conflito

Policial em frente da base da polícia atacada pelas Farc.
Policial em frente da base da polícia atacada pelas Farc.JAIME SALDARRIAGA (REUTERS)

Enquanto as negociações de paz entre o governo de Juan Manuel Santos e a guerrilha das FARC avançam em Havana, a guerra continua na Colômbia. Embora pareça uma contradição difícil de entender, assim o assumiram as partes desde o início dos diálogos há mais de um ano: embora estivesse-se negociando, não teria trégua. No entanto, a cada novo ataque da guerrilha desperta uma onda de indignação nacional.

Na madrugada deste sábado guerrilheiros das FARC atacaram uma estação de polícia de Inzá, um município com mais de 30.000 habitantes ao oriente do departamento do Cauca, na região sul ocidental da Colômbia. Segundo os primeiros reportes das autoridades, oito pessoas morreram, entre elas cinco soldados e um polícia. O atentado deixaria ao menos 40 feridos, a maioria camponeses, que foram levados a centros hospitalares das cidades mais próximas.

A guerrilha detonou um carro bomba e lançou explosivos artesanais conhecidos em Colômbia como tatucos sobre uma estação policial local. Depois, os autores do atentado fugiram pelas montanhas das cordilheiras Central e Oriental, por onde estão sendo procurados pelas das brigadas 29 e 9 do Exército, informaram os jornais locais.

O Comando da Terceira Divisão do Exército explicou que o atentado ocorreu quando a comunidade de Inzá se preparava para abrir o mercado camponês. “Com este fato demonstra-se claramente que as FARC, de maneira sistemática, continuam cometendo atos de terrorismo contra a população civil, colocando em risco sua vida e integridade”, diz um comunicado oficial.

O Exército confirmou os nomes dos policiais assassinados: o major Alexander Vargas Castanho, os tenentes Sérgio Prada Limas e Jhon Redondo Moreno, o sargento segundo Andrés Felipe Rodríguez, o soldado Jaime Ernesto Lozada Moreno e o subchefe da Polícia Nacional, Enrique Galinde Martínez.

A explosão destruiu por completo a estação de polícia que se encontra no centro do povoado e mais cerca de 30 casas ao redor. “É um ato terrorista absolutamente sem irracional e reprovável, que estes terroristas refugiando nas montanhas lancem tatucos contra a população civil. Foram lançados dois tatucos, destruíram a estação de polícia de Inzá (...) este ato é um absurdo, é um ato contra os pobres", disse Temístocles Ortega, governador de Cauca. A morte das oito pessoas teria ocorrido porque ficaram presos sob os escombros da base policial.

O presidente Juan Manuel Santos também condenou o fato e o qualificou como “realmente incompreensível” e anunciou que na tarde deste sábado fará uma reunião com os comandos militares na população atacada. Por sua vez, o presidente do Congresso, o liberal Juan Fernando Cristo, pediu às FARC refletirem sobre este tipo de atentados e exigiu que deem uma trégua para o fim de ano. “É uma atitude inexplicável e inaceitável de parte das FARC, há que recusar este tipo de atentados enquanto se fazem as negociações (de paz em Havana). Não pode ser ampliado desta maneira e ter esta agressividade contra a população civil e contra a força pública”, disse Cristo a Rádio Caracol.

Esta ação terrorista acontece um dia após a polícia capturar Anderson Yonda Canas, conhecido como Pepo, chefe das chamadas forças especiais da Sexta Frente, grupo ao qual foi atribuído o atentado. No dia 19 de agosto deste ano, este grupo guerrilheiro sofreu um duro golpe depois de uma operação conjunta entre o Exército e a Polícia onde morreram dois de seus chefes mais importantes conhecidos pelos apelidos de El Burro e Jaimito.

As FARC, que negociam o fim do conflito com o governo de Juan Manuel Santos há um ano sob a premissa de que não terá cessar fogo até que se assine a paz, protagonizaram em 2013 vários ataques. Um dos mais violentos ocorreu no dia 25 de agosto, onde 13 militares morreram em Arauca, na fronteira com a Venezuela.

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