José Luiz Passos vence o Prêmio Portugal Telecom de Literatura

O autor levou os prêmios na categoria romance e também o Grande Prêmio, faturando 100 mil reais

José Luiz Passos foi o vencedor do Grande Prêmio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa e também da categoria romance com o livro O Sonâmbulo Amador, anunciado na noite desta quarta-feira, no auditório do Ibirapuera, em São Paulo, e levou 100 mil reais para casa. Essa é uma das mais importantes premiações nacionais de literatura, ombreando com o Prêmio Jabuti e o Prêmio São Paulo.

Radicado há 18 anos na Califórnia, o pernambucano Passos, como ele mesmo reconheceu ao receber o troféu, não é muito conhecido no Brasil. A teia da narrativa vencedora, disse ele, "é de alguém que fica para trás e acaba inventando uma história para si mesmo". Passos também disse que a ideia desse livro lhe foi passada por seu pai, de quem herdou um diário com a sua atividade numa clínica psiquiátrica.

"De certa forma, esse livro fecha um ciclo de quem reencontrou seu pai num arquivo", disse ele, acrescentando: "o português é uma língua que vai bem mundo afora e eu dedico esse prêmio àqueles imigrantes que mantêm viva sua língua materna em outros países."  

Entres os finalistas em romance, apenas o angolano Valter Hugo Mãe, que concorria com O Filho de Mil Homens, era estrangeiro. Ainda concorreram em romance o paranaense Miguel Sanches Neto, com a obra A Máquina de Madeira, e Daniel Galera, com Barba Ensopada de Sangue.

Na categoria contos, levou o prêmio Essa Coisa Brilhante que é a Chuva, de Cíntia Moscovich, que trata de pequenos retratos cotidianos, como a síndrome de Édipo (ciúme do filho pela mãe) e a chegada de um cachorro em casa. Concorreram também Páginas sem Glória, de Sérgio Sant ́Anna, A Verdadeira História do Alfabeto, de Noemi Jaffe, e O Tempo em Estado Sólido, de Tércia Montenegro.

Já na poesia venceu Sentimental, de Eucanaã Ferraz. Também concorreram Formas do Nada, de Paulo Henriques Britto, Porventura, de Antonio Cicero, e Um Útero é do Tamanho de um Pulso, de Angélica Freitas. 

Na edição de 2013, o prêmio teve como curadores o escritor e colunista do EL PAÍS Luiz Ruffato (curador da categoria Romance), a consultora literária da Portugal Telecom, Selma Caetano, o poeta Antonio Carlos Secchin (curador da categoria Poesia), e o escritor Marcelino Freire (curador da categoria Conto/crônica).

A fertilidade da literatura em língua portuguesa pôde ser medida pelos números desta edição: 450 livros foram inscritos, sendo 63 deles escolhidos para a semifinal. A escolha dos 12 finalistas foi realizada pelos curadores e pelos críticos André Seffrin, José Castello, João Cezar de Castro Rocha e Leyla Perrone-Moisés, pelo romancista Cristovão Tezza e pelo crítico e poeta Italo Moriconi.

Em 2012, o autor angolano Valter Hugo Mãe levou a premiação de melhor romance pelo livro A Máquina de Fazer Espanhóis. Na categoria conto, o ganhador foi o curitibano Dalton Trevisan, com O Anão e a Ninfeta. E, na poesia, o vencedor foi o escritor e artista plástico brasileiro Nuno Ramos, por "Junco"

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