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PIB no Brasil cai 0,5% no trimestre, mas sobe 2,4% no acumulado do ano

Economia girou 1,2 trilhão de reais entre julho e setembro deste ano, com destaque para consumo das famílias que teve a quadragésima alta consecutiva

Consumidores de Brasília em shopping da capital.
Consumidores de Brasília em shopping da capital.

A economia brasileira avançou 2,2% no terceiro trimestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2012, segundo a divulgação de hoje das contas nacionais trimestrais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mas, em relação ao segundo trimestre deste ano, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro registrou queda de 0,5%. A retração da agropecuária, que teve queda de 3,5%, e dos investimentos, medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que recuaram 2,2% no mesmo período, explicam o resultado negativo no terceiro trimestre.

Já a polêmica revisão do PIB do ano passado foi menor do que a prevista pela presidenta Dilma Rousseff, em entrevista ao El País Brasil, no último dia 23. O IBGE reviu o crescimento de 0,9% para 1%, um cálculo mais modesto que a projeção de Rousseff que havia cravado uma expansão revista de 1,5%.

Em apresentação dos resultados, em São Paulo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, reconheceu que o desempenho brasileiro no terceiro trimestre, comparado ao trimestre anterior, foi um dos menores entre os países do G-20, e o mais baixo entre os emergentes que integram o bloco dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). “No segundo trimestre, fomos o país que mais cresceu entre os BRICS, mas no terceiro, fomos o que menos cresceu”, afirmou Mantega, atenuando a comparação negativa. Se o resultado do terceiro trimestre fosse anualizado, o Brasil teria um PIB negativo de 1,9%, a África do Sul teria uma expansão de 0,7%, a Índia, 6,0%, e a China, 9,1%.

“O crescimento da economia mundial também está sendo revisto e provavelmente ficará abaixo dos 2,7% estimados. Estaríamos mais ou menos acompanhando o crescimento da economia mundial”, disse. Para ele, 2013 não foi um ano fácil para mundo, embora esteja sendo melhor que 2012.

O IBGE também revisou os  números do primeiro e do segundo trimestre deste ano, de 0,6% para zero, e de 1,5% para 1,8%, respectivamente. ”Com essa revisão, houve uma concentração do crescimento no segundo trimestre, o que dificultou o crescimento do  terceiro trimestre”, disse Mantega. Por outro lado, segundo o ministro, o resultado negativo favorece a leitura de uma potencial expansão no quarto trimestre. “Isso já se percebe com o consumo aumentando, o varejo também”, completou.

 Na comparação com o terceiro trimestre de 2012, a taxa de investimentos subiu. Ela ficou em 19,1% do PIB, acima dos 18,7% registrados entre julho e setembro do ano passado. O desempenho da indústria e serviços ficou praticamente estável na comparação do segundo para o terceiro trimestre deste ano, com avanço de 0,1%.

Sobre o recuo da agricultura, Mantega considerou que o movimento era esperado, refletindo a entressafra do setor. “Em 12 meses, a agricultura cresceu 5,1%”, explicou. No período, a expansão da indústria é de 0,9%, e o setor de serviços, 2,3%.

Consumo

Já os gastos das famílias, que representam dois terços do PIB, teve a quadragésima variação positiva seguida, na leitura por trimestre. A expansão foi de 2,3%, segundo o IBGE, motivada, em parte, e pela elevação de 2,1% da massa real no terceiro trimestre. A expansão de 8,1% do saldo de operações de crédito para pessoas físicas também explica esse resultado. Já as despesas do Governo também registraram alta de 1,2% na comparação com o trimestre anterior. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o consumo da administração pública subiu 2,3%.

A produção agropecuária apresentou queda de 1% em relação a igual período do ano anterior. A variação negativa pode ser explicada, principalmente, pelo desempenho de alguns produtos da lavoura que possuem safra relevante no terceiro trimestre, como laranja (-14,2%), mandioca (-11,3%) e café (-6,9%). A indústria, por sua vez, apresentou crescimento de 1,9%.

No acumulado do ano, a economia mostra expansão de 2,4%. Somente entre julho e setembro, a houve a movimentação de 1.231,14 trilhão de reais.