Kerry confirma que existe um acordo de segurança dos EUA com o Afeganistão

O secretário de Estado dos EUA anunciou que existe um pacto sobre a presença das tropas norte-americanas no país asiático depois de 2014, mas que isso não inclui um pedido de desculpas por parte de Obama

John Kerry e Hamid Karzai.
John Kerry e Hamid Karzai.AP

O secretário norte-americano de Estado, John Kerry, confirmou nesta quarta-feira que os Estados Unidos e o Afeganistão chegaram a um acordo sobre a segurança que contempla a situação e as condições das tropas norte-americanas que permanecerem no país asiático depois da retirada da maior parte do contingente, em dezembro de 2014. O pacto não contempla nenhum tipo de pedido de desculpas por parte do presidente Barack Obama, como havia afirmado na terça-feira um porta-voz do governo afegão. O conteúdo do acordo será submetido nesta quinta-feira à aprovação da assembleia de líderes tribais afegãos, um respaldo que não está garantido e que, se não for majoritário, poderá levar o governo de Hamid Karzai a não sancionar o pacto.

"Tenho a satisfação de lhes comunicar que, após uma série de conversações com o presidente Karzai, definimos o texto final do acordo bilateral de segurança", anunciou o secretário de Estado. Kerry afastou os rumores de que esse acordo contemplaria a assinatura de uma carta por parte de Obama pedindo desculpas por erros cometidos durante a ocupação – uma exigência que Karzai teria feito ao chefe da diplomacia norte-americana no decorrer de uma conversa telefônica que ambos mantiveram na terça-feira, conforme declarou nesse mesmo dia o porta-voz do presidente afegão. "Karzai nunca me solicitou um pedido de desculpas, esse assunto jamais esteve sobre a mesa", observou Kerry.

O secretário de Estado, no entanto, deixou em aberto a possibilidade de que Obama envie uma carta por iniciativa própria, na qual, segundo alguns meios de comunicação norte-americanos, prometeria que as tropas dos EUA que permanecerem no Afeganistão após a retirada da missão da Otan só realizarão incursões em moradias de civis sob circunstâncias excepcionais e quando houver risco a vidas humanas – uma das condições já incluídas no acordo.

Karzai nunca me solicitou um pedido de desculpas, esse assunto jamais esteve sobre a mesa

O pacto regulamenta as condições para a permanência das tropas norte-americanas que ficarem no Afeganistão a partir de 2015. Além de limites às operações que elas poderão realizar, o acordo incluirá também garantias de imunidade aos militares dos EUA. Karzai se mostrou relutante em autorizar essa medida, mas a imunidade era uma condição indispensável para que Washington aceitasse permanecer no país asiático depois de dezembro de 2014. De fato, a recusa do governo do Iraque em isentar de responsabilidade os soldados norte-americanos foi uma das causas que levaram os EUA a eliminarem por completo sua presença militar no território iraquiano.

O esboço do acordo não especifica o número de soldados que os EUA destinarão ao Afeganistão para treinar os membros das forças de segurança locais e coordenar operações antiterroristas, as duas principais tarefas que lhe caberão. Nos últimos meses, vieram à tona várias cifras, que oscilam entre 5.000 e 10.000 militares. O texto tampouco estabelece até quando eles permanecerão no país asiático.

O governo dos EUA tinha interesse em selar o acordo antes que começasse a campanha para a eleição presidencial afegã de abril – que teve início neste mês. Para Karzai, firmar o pacto também é essencial, já que ele é crucial para garantir a manutenção da ajuda internacional ao Afeganistão depois de dezembro de 2014. Essas verbas são a maior fonte de financiamento das forças de segurança do país, as quais serão as principais responsáveis, a partir de 2015, por lutar contar a insurgência do Talibã.

O acordo precisará agora obter o respaldo da Loya Jirga, assembleia que reúne cerca de 3.000 líderes tribais do Afeganistão, e onde esse apoio não está garantido. Foi por isso que na terça-feira o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, se mostrava cauteloso sobre o sucesso do acordo. "Não acho que se possa dizer que chegamos a um acordo enquanto não ocorrer a aprovação pela Loya Jirga", afirmou. A assembleia tem autoridade para revisar e impugnar algumas das cláusulas. Uma rejeição generalizada poderia levar o próprio governo afegão a decidir não assiná-lo.

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