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Tunísia prende três suspeitos de estarem ligados ao suposto terrorista de Berlim

Um deles é sobrinho de Anis Amri, morto na pela polícia italiana nesta sexta

O tunisiano Anis Amri, suposto autor do atentado.
O tunisiano Anis Amri, suposto autor do atentado. AFP

Três pessoas foram presas na manhã de sábado em Túnis, capital da Tunísia, por suas ligações com Anis Amri, o jihadista que supostamente cometeu o atentado na segunda-feira contra um mercado de Natal em Berlim, como informou o Ministério do Interior da Tunísia. Entre elas está um sobrinho de Amri. “Trata-se de Fadi, um rapaz de 18 anos que vive em Túnis”, explicou Saïda, irmã de Amri, numa conversa telefônica. O jihadista tunisiano foi morto em um tiroteio com a polícia italiana na madrugada de sexta-feira em Milão depois de atirar num agente que pediu que se identificasse durante um controle de rotina.

Embora a polícia tunisiana não saiba se os três suspeitos, cujas idades variam entre 18 e 27 anos, tiveram algo a ver com o planejamento do atentado de Berlim, está convencida de que eles eram parte de uma “célula terrorista” ativa em Fouchana, um subúrbio ao sul da capital, e Ueslatia, cidade natal de Amri, localizada no marginalizado coração do país Norte Africano. Ueslatia tornou-se um foco jihadista com a chegada de um imã salafista à sua principal mesquita, e cerca de 40 jovens da região partiram para lutar com grupos jihadistas na Síria e na Líbia. No entanto, em 2014, o imã foi preso e a mesquita fechou temporariamente.

“O sobrinho confessou que estava em contato com o tio por meio do aplicativo criptografado Telegram para escapar da vigilância policial”, indica o Ministério do Interior em seu comunicado, no qual afirma que o jovem tinha enviado ao tio um vídeo no qual jurava lealdade ao autodenominado Estado Islâmico. O tio fez o mesmo em um vídeo que veio à tona na sexta-feira e fora gravado em uma ponte na capital alemã.

Fadi Amri também informou as autoridades que o tio era o “emir” de um grupo jihadista com sede na Alemanha e que se fazia chamar Abu Walaa, nome de guerra usado por um pregador salafista de origem iraquiana que foi preso na Alemanha acusado de liderar uma célula de recrutamento de militantes para o Estado Islâmico. De acordo com a rede norte-americana CNN, cerca de vinte alemães teriam se alistado no grupo jihadista através dessa célula.

Os serviços de inteligência de toda a Europa estão investigando se Amri teve cúmplices no planejamento do ataque ou em sua posterior fuga, pois conseguiu entrar primeiro na França e depois na Itália sem ser detectado. Falando à rádio espanhola COPE, o ministro do Interior espanhol, Juan Ignacio Zoido, informou que a polícia está investigando se Amri estava em contato com uma pessoa residente na Espanha através da Internet.

No momento, não se sabe exatamente quando ou onde Anis Amri se tornou um radical, pois não era uma pessoa sequer religiosa quando empreendeu seu projeto de emigração clandestina para a Itália. “Enquanto estava na prisão, na Itália, ele começou a rezar e me pediu que enviasse um livro sobre religião. Mas não manifestava ideias jihadistas”, lembra Saïda. A família ainda tem dúvidas de que a pessoa morta no tiroteio de Milão seja Anis e pede que provas sejam apresentadas. Caso seja Anis, a família pede que o corpo lhe seja entregue. “Estamos telefonando para o Ministério do Interior, mas ninguém nos responde. Dizem que é fim de semana”, comenta com um fio de voz a irmã de Anis.

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