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Merkel: “O Holocausto foi responsabilidade da Alemanha”

John Kerry encontra na quinta Netanyahu e o ministro alemão de Relações Exteriores

A chanceler alemã, Angela Merkel, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em entrevista coletiva em Berlim.

A Alemanha, um país que tem se esforçado para assumir sua culpa no que talvez seja o crime mais abominável da história, recebeu com incômodo as declarações do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em que retirava de Adolf Hitler parte da responsabilidade pelo Holocausto ao atribuí-la ao líder palestino da época, o mufti de Jerusalém Haj Amin al-Husseini. “A responsabilidade pela ‘Shoah’ é da Alemanha”, disse nesta quarta-feira, de forma categórica, a chanceler Angela Merkel. Ao lado de Netanhayu, que visita Berlim, a líder alemã acrescentou que não via qualquer motivo para mudar essa visão da história.

“Nós alemães conhecemos muito bem a origem do racismo criminoso do nacional-socialismo que conduziu ao Holocausto. Ensina-se nas escolas e não podemos permitir que se esqueça a responsabilidade única da Alemanha nesse crime contra a humanidade”, havia dito antes o porta-voz de Merkel.

Netanyahu afirmou que em nenhum momento defendeu Hitler, e sim apontou a responsabilidade do mufti para a chamada “solução final” que acabou com as vidas de seis milhões de judeus. E, principalmente, denunciar que na atual Palestina ele continua sendo venerado como um herói, em vez de ser lembrado como um “criminoso de guerra” e “um colaborador do regime nazista”.

Merkel aproveitou a reunião com Netanyahu para criticar os assentamentos na Palestina, por considerá-los “contraproducentes”. “É preciso fazer tudo que for possível para acalmar a situação e que todas as partes envolvidas façam a sua parte”, acrescentou a chanceler. O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, viajará a Berlim para reunir-se com Netanyahu e com ministro alemão de Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier.

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